Blogue de opinião e divulgação.
Quarta-feira, 25 de Março de 2009
Cimeira do G20 em Londres: a última oportunidade antes da deslocação geopolítica mundial

 

Carta aberta aos dirigentes do G20
Senhores e Senhoras:

Resta-vos menos de um semestre para evitar que o planeta afunde numa crise de que será preciso mais de uma década para sair, com um terrível cortejo de infelicidades e de sofrimentos. Esta carta aberta do LEAP/E2020, que desde Fevereiro de 2006 havia anunciado a iminência de uma "crise sistémica global", pretende tentar indicar-vos resumidamente porque assim é e como evitá-lo.

Com efeito, se os senhores começaram a suspeitar da amplitude da crise há menos de um ano, foi em Fevereiro de 2006, na 2ª edição do seu "Global Europe Anticipation Bullletin" (GEAB), que o LEAP/E2020 anunciou a entrada do mundo na "fase de desencadeamento" de uma crise de amplitude histórica. E desde esta data, o LEAP/E2020 continuou, a cada mês, a antecipar de uma maneira muito fiável as evoluções da crise na qual o mundo inteiro se debate doravante. O que nos levou a vos escrever esta carta aberta com a esperança de que ela esclarecerá as vossas escolhas daqui a alguns dias.

Esta crise agrava-se perigosamente. Recentemente, por ocasião da 32ª edição do seu boletim, o LEAP/E2020 lançou um alerta muito importante que vos concerne directamente, vós os dirigentes do G20: se, reunidos em Londres a 2 de Abril próximo, não forem capazes de adaptar decisões audaciosas e inovadoras concentrando-se no essencial, e iniciar a sua execução daqui até o Verão de 2009, então no fim deste ano a crise entrará na fase de "deslocação geopolítica generalizada" que afectará tanto o sistema internacional como a própria estrutura das grandes entidades políticos como os Estados Unidos, a Rússia, a China ou a UE. E os senhores então já não controlarão mais nada para a infelicidade dos seis mil milhões de habitantes do nosso planeta.

Vossa opção: uma crise de 3 a 5 anos ou uma crise de mais de uma década?

Infelizmente, como nada vos preparou para enfrentar uma crise de uma tal amplitude histórica, até ao presente os senhores ocuparam-se apenas dos sintomas ou das causas secundárias. Os senhores pensaram que bastava por combustível ou óleo no motor mundial, sem perceberem que estava muito simplesmente avariado e sem esperança de reparação. É um novo motor que é preciso construir. E o tempo pressiona pois cada mês que passa deteriora um pouco mais o conjunto do sistema internacional.

Como em toda a grande crise, é preciso ir ao essencial. Como em toda crise de dimensão histórica, a única opção está entre empreender rapidamente mudanças de radicais e encurtar consideravelmente a duração da crise e suas consequências trágicas ou ao contrário recusar as mudanças radicais tentando salvaguardar o existente, para não conseguir senão prolongar duravelmente a crise e aumentar todas as suas consequências negativas. Em Londres, a 2 de Abril próximo, os senhores terão assim a opção entre resolver a crise em 3 a 5 anos de uma maneira organizada ou, ao contrário, arrastar o planeta para uma década terrível.

Limitar-nos-emos aqui a destacar três conselhos que consideramos estratégicos, ou seja, se não forem postos em acção daqui até ao Verão de 2008 a deslocação geopolítica mundial tornar-se-á inevitável a partir do fim deste ano.

OS TRÊS CONSELHOS DO LEAP/E2020

1- A chave da crise é a criação de uma nova divisa internacional de referência!

O primeiro conselho resume-se a uma ideia muito simples: a chave da crise actual encontra-se na reforma do sistema monetário internacional herdado do após 1945 a fim de criar uma nova divisa internacional de referência. O dólar americano e a economia dos Estados Unidos já não estão em condições de serem os pilares da ordem económica, financeira e monetária mundial. Enquanto este problema estratégico não for abordado directamente, e depois tratado, a crise aprofundar-se-á pois esta está no cerne das crises dos produtos financeiros derivados, dos bancos, dos preços da energia, ... e das suas consequências em termos de desemprego maciço e de baixas dos níveis de vida. É portanto vital que esta questão seja o objecto principal da Cimeira do G20 de Londres e que os primeiros elementos de solução sejam ali lançados. A solução para estes problemas é igualmente bem conhecida: trata-se de criar uma divisa de referência internacional (que se poderia chamar o "Global") fundada sobre um cabaz de moedas correspondente às principais economias do planeta, a saber, o US Dólar, o Euro, o Yen, o Yuan, o Khaleel (moeda comum dos estados petrolífero do Golfo será lançada a 1 de Janeiro de 2010), o Rublo, o Real, ... e fazer gerir esta divisa por um "Instituto Monetário Mundial", cujo Conselho de Administração reflicta os pesos respectivos das moedas que compõem o "Global". Os senhores devem pedir ao FMI e aos bancos centrais envolvidos para preparar um plano nesse sentido para Junho de 2009 com o objectivo de pô-lo em acção a 1 de Janeiro de 2010. É o vosso único meio de retomar a iniciativa durante o tempo em que se desenrola esta crise. E é o único meio de concretizar a implementação de uma globalização partilhada, partilhando a moeda que está no cerne de toda a actividade económica e financeira.

Segundo o LEAP/E2020, se uma tal alternativa ao sistema actual em pleno colapso não tiver começado a ser preparada daqui até ao Verão de 2009, demonstrando que existe um outro caminho além do "cada um por si", o sistema monetário internacional actual não passará do Verão. E se certos Estados do G20 pensam que é preferível manter mais tempo os privilégios que lhes proporciona o status quo, eles deveriam meditar no facto de que hoje ainda podem influenciar de maneira decisiva a forma que tomará este novo sistema monetário mundial. Uma vez iniciada a fase de deslocação geopolítica, perderão ao contrário toda aptidão para fazê-lo.

2- Controlar o conjunto dos bancos o mais rapidamente possível!

O segundo conselho já foi amplamente evocado nas discussões anteriores à vossa reunião. Deveria pois ser fácil adoptá-lo. Trata-se de instalar daqui até ao fim de 2009 um sistema de controle dos bancos à escala mundial que suprima todo "buraco negro". Várias opções já vos foram propostas pelos peritos. Tomem a decisão desde já. Nacionalizem o mais rapidamente possível quando preciso! Este é em todos os casos o único meio de prevenir um novo endividamento maciço dos estabelecimentos financeiros como o que contribuiu para a crise actual, e de mostrar às opiniões públicos que os senhores têm credibilidade face aos banqueiros.

3- Façam avaliar rapidamente pelo FMI os sistemas financeiros estado-unidense, britânico e suíço!

O terceiro conselho refere-se novamente a uma questão muito sensível politicamente que no entanto é incontornável. É indispensável que o FMI remeta ao G20, o mais tardar em Julho de 2009, uma avaliação independente dos três sistemas financeiros nacionais no núcleo da crise financeira: o dos Estados Unidos, do Reino Unido e da Suíça. Nenhuma solução durável poderá com efeito ser posta eficazmente em acção enquanto ninguém tem a menor ideia das devastações causadas pela crise a estes três pilares do sistema financeiro mundial. Já não é tempo de "usar luvas" com países que estão no cerne do caos financeiro actual.

Escrevam um comunicado simples e breve!

Para terminar, permitimo-nos apenas lembrar que doravante os senhores têm de restaurar a confiança junto a 6 mil milhões de pessoas e junto a dezenas de milhões de instituições públicas e privadas. Assim, não esqueçam de redigir um comunicado curto, que não tenha mais de duas páginas, que não contenha mais de três ou quatro ideias centrais e que seja legível para não peritos. Do contrário, os senhores não serão lidos fora do círculo estreito dos especialistas e não poderão ressuscitar a confiança da maioria condenando assim a crise a agravar-se. Se esta carta aberta vos ajudar a sentir que a História vos julgará por aquilo que tiverem conseguido fazer ou não nesta Cimeira, então ela não terá sido inútil. Saibam simplesmente que, segundo o LEAP/E2020, os vossos povos respectivos não esperarão mais de um ano para vos julgar. Uma coisa entretanto é certa: desta vez os senhores não poderão dizer que não foram prevenidos!

Franck Biancheri
Director de Estudos do LEAP/E2020

Presidente do Newropeans

Terça-feira, 24 de Março de 2009
 
Este documento pode ser pode ser lido também:
Resistir.info, com uma critica
Ao sabor da maré
 
O G20 reúne os países mais ricos do Mundo (França, Alemanha, Reino Unido, Itália, Espanha, Holanda e a Comissão Europeia por parte da UE, Estados Unidos, Canadá e Japão) e as economias emergentes (África do Sul, Argentina, Arábia Saudita, Austrália, Brasil, China, Coreia do Sul, Índia, Indonésia, México, Rússia e Turquia)
Uma das questões que se levanta - e que aqui e ali veladamente se vai colocando - é sobre a legitimidade deste grupo de países para decidir questões que afectam toda a Humanidade.
 


publicado por codigo430 às 13:10
link do post | comentar | favorito
|

Euro vs US Dollar
[Most Recent Exchange Rate from www.kitco.com]
Siouxsie And The Banshees - Dear Prudence
Coldplay - Paradise (Official)
Peter Gabriel - Games Without Frontiers
Je suis un homme - zazie
Vídeos
posts recentes

Fontes do Crescimento Eco...

El duro discurso de Marth...

¿Por qué el 'padre del iP...

A história de um Chef que...

Trabalho de pesquisa

Estatísticas do Turismo

Estrelas

Organizações Mundiais

Pent

Prova de Economia

links
tags

vídeos

opinião

cidadania

crise

democracia

economia

avaliação

globalização

humor

informação

outros temas

professores

actividades

música

enriquecimento

ambiente

sociologia

recursos

tve2

eua

informação vídeos

rtp

gripe

militarismo

videos

estudos

ensino

alunos

sic

estatísticas

escola

europeias

visitas de estudo

agricultura

poesia

fenprof

tvi

china

video

fome

divulgação

saramago

cef

iraque

profissional

vídeos tve2

galeano

leap

manifestações

pobreza informação

teoria

tve1

espinho

petróleo

técnico de secretariado

turismo

dia mundial

guerra

honduras

rosa

brasil

coltan

cultura

democracy

emigração

informação tve2

jn

laranjeira

outros temas vídeos

porto

sindicatos

colóquios

desigualdade

direito

economia tve2

estado

expresso

frases

galbraith

galeano tve2

gripe vídeos

obama

ocde

palestina

pedagogia

pobreza

privado

público

redes sociais

rt

técnico de comércio visitas de estudo

afeganistão

água informação vídeos

bbc

cgtp

chossudovsky

educação

fne

irão

manuel freire

todas as tags

Dívida Pública Mundial e por país

Tocar na imagem!
Outubro 2016
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30
31


pesquisar
 
subscrever feeds
arquivos

Outubro 2016

Dezembro 2015

Setembro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Janeiro 2014

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Julho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Julho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Maio 2006