Blogue de opinião e divulgação.
Segunda-feira, 20 de Abril de 2009
Economias industriais a reverterem para "economias de portagem"

 A guerra financeira contra a Islândia

 O mundo está a mergulhar "de volta ao futuro", numa época de neo-feudalismo e escravidão pela dívida. Isto é um travesti da promessa do capitalismo industrial como este parecia estar a evoluir na véspera do século XX e na Era Progressiva da social-democracia. O que não foi reconhecido foi a bomba relógio financeira implantada no DNA da Europa como tendo evoluído a partir da Idade Média.

Quando o feudalismo europeu abriu caminho à formação de nações-estado, a maior parte dos reinos tornou-se dependente de empréstimos estrangeiros para travar as suas guerras – a começar pelos Cruzados, cujo saqueio de Bizâncio proporcionou-lhes um enorme influxo de ouro e prata. Foi isto que decompôs as proibições da Igreja quanto à usura. Uma vez que os governos pagavam juros a ordens de elite da Igreja, como os Templários e os Hospitalários, tornou-se permissível para os bancos aderirem ao empréstimo a juros – para os reis, a nobreza e as classes mercantis como grandes clientes.

O nascimento da banca internacional pós-medieval demonstrou-se desastroso para muitos bancos de família, que afundaram com maus empréstimos às principais potências da Europa primitiva, desde a Espanha à Inglaterra. O historiador Richard Ehrenberg observa que bancarrotas espanholas "verificaram-se a intervalos de cerca de vinte anos – 1557, 1575, 1596, 1607, 1627, 1647”, muitas vezes sendo racionalizadas por piedosas alusões a proibições da Igreja contra a usura. A Inglaterra declarou bancarrota sob Eduardo III em 1339, e Charles II encerrou o erário público (Exchequer) em 1672 e suspendeu o pagamento da sua dívida flutuante. Cancelar dívidas foi o único meio de conservar relações económicas e políticas básicas, bem como a independência nacional. Em vista desta longa experiência, o conselho da Inglaterra à Islândia de hoje é do tipo "Faça como nós dizemos, não como nós próprio fizemos e estamos a fazer".

Os bancos centrais foram formados para avançar crédito aos governos e os bancos comerciais para ajudar a financiar a expansão comercial da Revolução Industrial e os gastos com a infraestrutura relacionada, mineração e navegação, culminando nos monopólios de infraestrutura tais como canais, ferrovias e portos e posteriormente combustível e energia. A época medieval da "acumulação primitiva" – a extracção de rendimento pelo apresamento militar – foi substituída pela mais pacífica e aparentemente civilizada prática de credores apropriarem-se do excedente económico fazendo empréstimos a juros, e pelo arresto da propriedade quando os encargos de juros não podiam ser pagos.

Nos últimos anos administradores financeiros persuadiram muitos países a venderem empresas públicas como as de água ou abastecimento de energia, principalmente para obterem dinheiro a fim de pagar dívidas ou cortar impostos sobre os escalões de riqueza mais elevados. Esta venda dos "bens comuns" ("commons") por líderes ingénuos e míopes (e os "idiotas úteis" promovidos pelos lobbyistas financeiros como seus conselheiros económicos) transformou países devedores em "economias de portagem" ("tollbooth economies") nos quais os serviços básicos tornaram-se veículos para extrair proporções cada vez maiores do rendimento nacional e da riqueza em benefício de poucos. Isto é a antítese dos "mercados livres" tal como os economistas clássicos entendiam a expressão. Eles são mercados concebidos e controlados pelo sector financeiro para apropriaram-se em seu próprio proveito do excedente produzido pelo trabalho e pelo investimento em capital tangível.

Para promover esta sucção do rendimento excedente, os ricos financiaram vastas campanhas de desinformação (propaganda) por todo o mundo. A sua táctica é utilizar expressões familiares e ideologicamente reverenciadas tais como "mercados livres", "democracia económica" e "fidedignidade" para ganhar os corações e mentes da população enquanto realmente impõem um conjunto de políticas em absoluto contraste com a ideologia do Iluminismo, a economia política clássica, a reforma da Era Progressiva e a social-democracia do século XX – os ideais dos povos amantes da liberdade em toda a parte. Os lobbyistas financeiros gastaram milhares de milhões de dólares com think tanks de relações públicas para alcançarem esta fraude ideológica. Eles fizeram doações a business schools e ganharam o controle de agências do governo para promover o seu ponto de vista orientado para os credores, encabeçado pelos bancos centrais para servir de cunha ideológica às forças anti-democráticas de hoje. Esta é a ideologia que empurrou grande parte do Terceiro Mundo para a pobreza a partir da década de 1960, bem como as economias pós soviéticas hoje tragicamente infestadas de dívida.
 
 


publicado por codigo430 às 00:00
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