Blogue de opinião e divulgação.
Quarta-feira, 22 de Abril de 2009
Como os bancos e o sector financeiro ganharam o poder de domínio

 A guerra financeira contra a Islândia

Esta supremacia dos bancos e do sector financeiro levou milhares de anos a ser atingida. Não foi fácil subverter valores sociais tradicionais e empobrecer tantas economias através da subordinação das relações de propriedade habituais com a prioridade legal para os credores. A Islândia só recentemente ficou sob esta espécie de ataque financeiro de credores que operam globalmente. Banqueiros conseguiram convencer ambiciosos à procura de fortuna que o caminho para a riqueza e o crescimento económico residia na alavancagem de dívida, não em permanecerem livres de dívida. Ao vender dívida como o seu produto, os bancos e os especuladores no núcleo do mundo financeiro precisavam preparar-se para o que devem ter sabido que levaria ao colapso económico e que destruiu economias ao longo da história. Eles preparam o caminho para a ruína através da engenharia ideológica destinada a moldar a forma de pensar das populações acerca da história, de modo a aceitar a pirâmide da dívida como uma boa estratégia económica.

Como exemplo do seu pensamento distorcido, considere uma casa com preço atraente. Você preferiria possuir 100% de uma casa livre de toda dívida com um valor de mercado de 100.000 euros se livre de dívida – ou, ao contrário, preferiria possuir 60% da mesma casa a um preço de mercado inflacionado avaliado em 250.000 euros? No segundo cenário você teria 50.000 euros de "riqueza excedente" (60% x €250.000 = €150.000, a serem comparados com os €100.000 do primeiro exemplo). Pessoas por todo o mundo foram convencidas de que o segundo cenário representa "criação de riqueza". O que é passado por alto é que o preço mais elevado da casa implica encargos de juros sobre o seu preço de mercado mais elevado. Este encargo montaria a €6.000 por ano, ou €500 por mês a juros a 6%. A mesma propriedade vale mais, mas inclui um encargo de dívida muito maior – rendimento para o sector financeiro.

Na Islândia – mas em nenhum outro lugar – as hipotecas de casas têm uma deformação singular. Os credores conseguiram proteger o peso dos seus direitos sobre os devedores ao indexar os empréstimos hipotecários à taxa do índice de preços no consumidor (IPC) do país. A cada mês a dívida principal é acrescida pelo aumento do IPC – e assim também o encargo de juros. Durante 2008 aquele índice subiu 14,2%, de modo que uma hipoteca de €100.000 com arranque em 2008 teria crescido para €114.230 no fim do ano. Estes ajustamentos mensais também seriam acrescidos de um ponto percentual dentro do pagamento dos juros – um extra de €100 a ser pago mensalmente aos credores, em acréscimo ao principal crescente a ser amortizado. Falamos acerca de fazer dinheiro sem esforço...!

Encargos de dívida tão pesados contrairiam qualquer economia, e é o que está a acontecer na Islândia. Os preços do imobiliário declinaram numa estimativa de 21 por cento para a habitação em 2008. Assim, no exemplo acima, o preço de mercado da casa que vale €100.000 no princípio do ano teria estado a valer apenas €79.000 no fim do ano, ao passo que a hipoteca teria crescido em 14%, para 114.230. Isto teria afundado o proprietário numa situação líquida negativa de €35.000 – uma notável mudança de 35%.

Em todo país, os investidores perdem quando os preços declinam nos imóveis, acções e títulos, ao passo que os credores descobrem o poder de compra dos seus empréstimos corroídos pela inflação. Foi assim que a maior parte dos países conseguiram "sair da dívida" durante muitos séculos. Mas os credores da Islândia criaram um sistema no qual a sua posição é realmente melhorada quando o resto da economia sofre a erosão inflacionária do preço. Os seus direitos aumentam na proporção da taxa em que a inflação dos preços no consumidor corrói salários e lucros de negócios. Qual o sentido disto?

O que torna isto tão irónico é que o objectivo de calcular o índice de preços no consumidor em todos os países foi apoiar o rendimento do consumidor. Foi para proteger os assalariados e aposentados contra a inflação que corroía a sua capacidade de manter o seu padrão de vida. Eis porque nos Estados Unidos os aposentados da Segurança Social recebem um ajustamento anual do custo de vida com base no IPC. Mas a Islândia inverte este objectivo político, protegendo os direitos dos credores contra os devedores (e portanto contra a maior parte dos assalariados). O objectivo do credor é maximizar o poder da dívida sobre o trabalho vivo. Este é o significado literal de "hipoteca" (mortgage): uma "mão morta" do passado sobre o presente, da riqueza passada e do crédito sobre o vivo. Para a Islândia, as dívidas aumentadas durante a fase de "criação de riqueza" da bolha financeira devem ser deixadas ali e até mesmo crescer a uma taxa acelerada reflectindo o ritmo da depreciação da divisa e portanto na generalidade dos preços de importação e no consumidor. Os devedores perdem quando os preços das suas casas afundam, ao passo que os credores mantêm o seu domínio económico intacto e até mesmo fortalecido pelo aumento do seu poder.
 
 


publicado por codigo430 às 00:00
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