Blogue de opinião e divulgação.
Quarta-feira, 6 de Maio de 2009
A Islândia como caso de teste e de modelo para a justiça económica

 A guerra financeira contra a Islândia

 A percepção da impossibilidade de pagar as dívidas e ao mesmo tempo manter uma sociedade razoável com um campo de jogo financeiramente nivelado no qual o povo viva do que produz (ao contrário de uma sociedade escravizada pela dívida conduzida por credores) ajudará a Islândia a encarar a realidade mais cedo ou mais tarde. Alguma forma de Recomeço (Clean State) com moratória deveria ser inevitável. A extensão não pode ser conhecida até que uma contabilidade de quem deve o que a quem seja feita. Mas como nação soberana, a Islândia pode aplicar quaisquer leis económicas que pretenda, desde que estas não discriminem especificamente contra estrangeiros. (O que pode ser o resultado de uma lei geral, na medida em que os estrangeiros estão tão sujeitos às mesmas leis quanto os cidadãos internos.)

Os credores globais irão queixar-se vigorosamente, esperando convencer a Islândia a deixar as finanças tornarem-se um sector extra-legal, para além do âmbito de regulação do direito nacional – ou tributar. O objectivo é provocar dinâmicas financeiras para além da capacidade dos sistemas legais de todo o mundo para conter ou controlar, de modo a fazer a colecta de dívida autónoma da regulação democrática. Para alcançar esta vitória, os interesses financeiros procuram desmantelar o poder de os governos limitarem a capacidade dos credores em mobilizar-se para empréstimos predatórios e arrestos. Os lobbyistas acusam o poder do governo de ser uma "estrada para a servidão", quando na realidade só os governos podem proteger populações da escravidão da dívida imposta pelos credores.

Outra táctica na crise da dívida de hoje: os credores estão a tentar apressar os assuntos. Os Estados Unidos proporcionaram uma lição na armadilha de não dar ao governo tempo suficiente para ponderar as coisas de forma a detectar como as perdas iriam ser sofridas. O secretário do Tesouro Paulson representou o interesse da sua própria firma, Goldman Sachs, ao martelar uma dádiva "salvamento" de US$800 mil milhões para os principais banqueiros de investimento da Wall Street. A soma incluiu US$180 mil milhões dispersos até então à AIG para pagar aos especuladores em derivativos (incluindo US$12 mil milhões à sua maior segurada, a própria firma de Paulson) e US$45 mil milhões para o Citigroup pagar aos seus jogadores contrapartes no lado vencedor das apostas estilo casino.

Noventa e cinco por cento dos eleitores americanos opuseram-se a esta dádiva. O secretário do Tesouro fez as suas habituais vãs promessas de que este pacote seria utilizado em grande medida para alívio de dívidas e a renegociação de hipotecas. Era tudo uma mentira – que o sr. Paulson sabia claramente ser uma mentira, porque a concisa minuta de lei com três páginas que ele enviou ao Congresso pedia que nenhum governo ou agência de aplicação da lei pudesse punir o embuste financeiro do seu programa. Os banqueiros apanham o dinheiro e fogem. Eles utilizaram o dinheiro para pagarem a si próprios enormes bónus e dividendos aos accionistas num vão esforços para suportar o preço das acções – e comprar bancos mais pequenos de modo a criar conglomerados financeiros ainda mais gigantescos "demasiado grandes para falirem", isto é demasiado grandes para falirem sem deitarem abaixo todo o sistema financeiro dos EUA.

Infelizmente, uma precipitação para o julgamento dará dinheiro a banqueiros irrecuperavelmente. Eles então farão como fez o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, torcendo as mãos e mostrando lágrimas de crocodilo. Tal conversa é custosa! Os eleitores americanos estão agora mais irados do que nunca com o governo por votar esta dádiva.

Na televisão nacional em 15 de Março o sr. Bernanke utilizou uma falsa analogia já popularizada pelo presidente Obama. Ele perguntou o que o povo deveria fazer se um fumador irresponsável deixasse a sua cama arder de modo a incendiar a casa. Deveria o vizinho dizia: "é culpa dele, deixe a casa queimar"? Isto ameaçaria toda a vizinhança, disse o sr. Bernanke. A implicação, disse ele, era que a recuperação económica exigia um sistema bancário e financeiro forte.

Mas casas bancárias não estão no mesmo bairro onde vive a maior parte do povo. Com efeito, os Estados Unidos estão a tomar casas que não foram incendiadas, expulsando os seus proprietários e ocupantes para entregá-las aos acusados de terem incendiado a sua própria casa. Para o sr. Bernanke a "solução" para o problema da dívida é fazer com que os bancos concedam empréstimos outra vez. Eles devem emprestar bastante dinheiro de modo a que os seus clientes possam tomar emprestado o dinheiro para pagar-lhes os encargos de juros estipulados. O objectivo é retornar à "normalidade", definida como novo crescimento exponencial no volume de dívida – mais das bolhas económicas que acabaram de arrebentar em torno de nós!
 
 


publicado por codigo430 às 00:00
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