Blogue de opinião e divulgação.

Segunda-feira, 19 de Outubro de 2009
Crise sistémica global - A União Europeia na encruzilhada em 2010: cúmplice ou vítima do afundamento do dólar?

 

As grandes tendências das fase 4 e 5 da crise sistémica global (fase de decantação e fase de deslocação geopolítica mundial) a cada dia revelam-se um pouco mais. Doravante todo o mundo compreende que os Estados Unidos estão capturados numa espiral incontrolável que associa a insolvência generalizada do país com a incompetência flagrante das elites estado-unidenses para por em execução as soluções necessárias. A anunciada cessação de pagamentos dos Estados Unidos já está em curso como é ilustrado pela queda do dólar e pela fuga dos capitais para fora do país: apenas o nome do liquidador e o reconhecimento da falência ainda não são conhecidos, mas isso não deverá tardar. E, como espelho do seu líder, o Ocidente, de que o Japão se afasta um pouco mais a cada dia com a execução das suas novas orientações políticas, económicas, financeiras e diplomáticas , já está em plena deliquescência tal como a NATO no Afeganistão.

Assim, segundo o LEAP/E2020, o ano de 2010 vai colocar a União Europeia no cerne de quatro constrangimentos estratégicos que lhe vão impor escolhas urgentes num contexto de colapso acelerado do campo ocidental, que se poderia simplificar resumindo-o ao destino do US dólar. Estas escolhas definirão duradouramente o papel dos europeus no mundo após a crise. Quer se afirmem como actores-chave da estruturação do mundo de amanha afirmando a sua própria visão do futuro e procurando parceiros ad hoc sem exclusividade, quer se contentem em serem vítimas aquiescentes do naufrágio do Ocidente seguindo a cegueira de Washington na sua descida aos infernos. No primeiro caso, a UE assumiria plenamente a sua finalidade histórica de dar outra vez aos europeus o domínio do seu destino colectivo; nos segundo, revelar-se-ia ser apenas o pingente ocidental do Comecon, apêndice sem futuro da superpotência tutelar.
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Terça-feira, 23 de Junho de 2009
Crisis sistémica global: El impacto conjunto de las tres « olas monstruosas » del verano 2009

 

- Nota publica de GEAB N°35 (Edición especial Verano 2009 - 18 de junio de 2009) -
Tal como lo viene anticipando el LEAP/E2020 a partir de octubre de 2008, en vísperas del verano boreal 2009 la cuestión de la capacidad de Estados Unidos y del Reino Unido para financiar sus déficits públicos, ya descontrolados, se ha impuesto como la cuestión central en el debate internacional, hechos que abren el camino al doble fenómeno de una cesación de pago de Estados Unidos y del Reino Unido de aquí a fines del verano de 2009.
Así pues, en esta fase del desarrollo de la crisis sistémica global, contrariamente al discurso mediático y político dominante, el equipo del LEAP/E2020 no prevé en absoluto el inicio de la recuperación después del verano boreal de 2009 (ni en los próximos doce meses) (1). Al contrario, a causa de la falta de un tratamiento de fondo de los problemas cuando comenzó la crisis, consideramos que en este verano se producirá la convergencia de tres « olas gigantes » (2) particularmente destructivas, reflejando la continuidad de la profundización de la crisis, que originará en los meses de Septiembre/Octubre de 2009 convulsiones históricas. Como ha sido desde el principio de esta crisis, no todas las regiones del mundo se verán afectadas de igual forma (3); pero, para nuestros investigadores, todas, sin excepción experimentarán una gran degradación de su situación de ahora a fines del verano de este año (4)
En Estados Unidos como, en particular, en el Reino Unido, el colosal esfuerzo financiero público realizado en 2008 y a principios de 2009 beneficiando únicamente a los grandes bancos alcanzó tal grado de impopularidad, que en esta Primavera boreal de 2009 se tornó imposible proyectar nuevas inyecciones de fondos públicos en provecho de los bancos, que seguían insolventes (11). Entonces se volvió imperativo instrumentar un « hermoso cuento de hadas » para impulsar al ahorrista medio a inyectar sus propios fondos en el sistema financiero. A golpes de los « green shoots », de los índices bursátiles empujados hacia arriba sin verdadero fundamento económico y los « reembolsos anticipados de fondos públicos », se lo puso en marcha. Así, mientras que los grandes inversores de las monarquías petroleras o los países asiáticos (12), sacaban provecho de la ganga, salían del capital de los bancos en cuestión, una multitud de nuevos pequeños accionistas entraban en eso llenos de esperanzas. Cuando descubran que los reembolsos de fondos públicos son sólo una gota de agua con relación a lo que estos mismos bancos obtuvieron de la ayuda pública (especialmente para garantizar sus activos tóxicos) y qué, de aquí tres a cuatro meses como máximo (como analizamos en este GEAB N°36), estos mismos bancos estén a punto naufragar nuevamente, comprobarán, impotentes, que sus acciones nuevamente no valen nada.
Crecimientos respectivos del PNB, en verde, y de la deuda estadounidense, en rojo, (en Mil millones USD, - Fuentes: US Federal Reserve / US Bureau of Economic Analysis / Chris Puplava , 2008
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Segunda-feira, 18 de Maio de 2009
Crise sistémica global: O surrealismo financeiro

 

Junho de 2009: Quando o mundo sai definitivamente do quadro de referência dos últimos 60 anos
O surrealismo financeiro que terá presidido às evoluções bursáteis e aos indicadores financeiros e comentários políticos destes últimos dois meses é o canto do cisne do quadro de referência no qual o mundo vive desde 1945.

Do mesmo modo que, em Janeiro de 2007, no GEAB nº 11, o LEAP/E2020 havia descrito a viragem 2006/2007 como caracterizada por um "ruído estatístico" típico da entrada em recessão e concebido para por em dúvida os passageiros de que o Titanic estava em vias de flutuar [1] , hoje a nossa equipe considera que este fim de Primavera de 2009 marca a saída definitiva do referencial utilizado desde há 60 anos pelos actores económicos, financeiros e políticos mundiais para efectuar as suas tomadas de decisão, e em particular da sua versão "simplificada", utilizada maciçamente desde a queda do bloco comunista em 1989 (o referencial foi então tornado puramente centrado na América). Para além de todo aspecto teórico, isto significa concretamente que os indicadores que cada um tem o hábito de utilizar para as suas decisões de investimento, de rentabilidade, de localização, de parceria, etc... tornaram-se obsoletos e que doravante é preciso procurar alhures os índices pertinentes se se quiser evitar a tomada de decisões desastrosas.

Este fenómeno de obsolescência acentuou-se fortemente desde há alguns meses sob a pressão de duas tendências:

  • por um lado, as tentativas desesperadas de salvamento do sistema financeiro mundial, e em particular dos sistemas americano e britânico, de facto "partiram os instrumentos de navegação" devido a manipulações de todo o género efectuadas pelos próprios estabelecimentos financeiros, pelos Estados e pelos bancos centrais afectados. Dentre estes indicadores enlouquecidos e enlouquecedores, as bolsas constituem o melhor exemplo. Retornaremos ao assunto mais amplamente nas recomendações deste GEAB nº 35. E os dois gráficos abaixo ilustram magistralmente como estes esforços desesperados não impediram uma grande reviravolta na classificação dos grandes bancos mundial (foi essencialmente a partir de 2007 que se encadeou o fim da dominação histórica americano-britânica desta classificação).

  • por outro lado, as quantidades astronómicas de liquidez injectadas em um ano no sistema financeiro mundial, e em particular no sistema financeiro americano, conduziu o conjunto dos actores financeiros e políticos a uma perda total de contacto com a realidade. De facto, nesta etapa, todos eles parecem atingidos pelo síndrome da ebriedade das profundezas – que se desencadeia naqueles que são afectados por uma impossibilidade de se localizarem nas profundidades marítimas, o que os leva a mergulharem cada vez mais profundamente acreditando de facto subir de volta à superfície. A ebriedade das profundidades financeiras tem visivelmente os mesmos efeitos que a da sua homóloga aquática.

Captadores destruídos ou pervertidos, perda do sentido de orientação dos dirigentes financeiros e políticos, eis os dois factores-chave que aceleram a saída do sistema internacional para fora do referencial destas últimas décadas.
Isto é, bem entendido, uma das características de toda crise sistémica. Pode-se aliás constatar facilmente que o sistema internacional ao qual estamos habituados assiste ao multiplicar de acontecimentos ou tendências que saem de quadros de referência multi-seculares, provando até que ponto esta crise é de uma natureza sem equivalente na história moderna. E o único meio de mediar a amplitude dos movimentos em curso é tomar um recuo de vários séculos. Ao limitar-se às estatísticas de algumas décadas não se percebe de facto que os pormenores desta crise sistémica global; não se tem a visão de conjunto.

O LEAP/E2020 citará aqui, como exemplo, três casos mostrando que vivemos numa época de ruptura como não acontece senão uma vez a cada dois ou três séculos:

1- Em 2009, a taxa de juros do Banco da Inglaterra atingiu o seu mais baixo nível desde a criação desta venerável instituição (0,5%), ou seja, desde 1694 (em 315 anos).
2- Em 2009, a Caisse des Dépôts et Consignations , braço financeiro do estado francês desde 1816 sob todos os regimes (reino, império, república, ...), experimentou a sua primeira perda anual (em 193 anos) [2]

3- Em Abril de 2009, a China tornou-se o primeiro parceiro comercial do Brasil, uma posição que desde séculos antecipa fielmente as maiores rupturas da liderança mundial. Com efeito, desde que, há duzentos anos, o Reino Unido pôs fim a três séculos de hegemonia portuguesa, é apenas a segunda vez que um país acede a esta posição. Os Estados Unidos haviam efectivamente suplantado o Reino Unido no princípio dos anos 1930 como primeiro parceiro do Brasil [3] .

Não retornaremos aqui à multiplicação das tendências próprias dos Estados Unidos que saem igualmente dos referenciais nacionais destes últimos cem anos (além disso, o país não tem verdadeiramente referencial utilizável para comparações pertinentes): perda de valor do dólar, défices públicos, dívida pública acumulada, défices comerciais acumulados, afundamento do mercado imobiliário, perdas dos estabelecimentos financeiros, ... [4]

Mas, bem entendido, nos países no cerne da crise sistémica global, os exemplos desta natureza são legiões e amplamente comentados nos números do GEAB desde 2006. É de facto a multiplicação de países e de zonas afectadas que é sintomática desta saída do referencial global: se houvesse um único país afectado ou um único sector aflito, não se trataria senão de um período fora da norma para os países ou o sector considerado. Mas hoje, são numerosos países, no cerne do sistema internacional, e uma multidão de sectores económicos e financeiros que são afectados simultaneamente, por esta "saída da estrada multi-secular".

Assim, para concluir esta perspectiva histórica, contentar-nos-emos em sublinharemos que esta saída de referenciais multi-seculares é graficamente visível sob a forma de uma curva que, muito simplesmente, sai do quadro que permitia desde há séculos representar a evolução do fenómeno ou do valor afectado. E a tendência para a saída destes quadros de referência tradicionais acelera-se, afectando um número de sectores e de países cada vez mais importante. Este fenómeno reforça automaticamente a perda de significado dos indicadores utilizadores diariamente ou mensalmente pelas bolsas, pelos governo ou pelos institutos de estatísticas, e acelera a tomada de consciência generalizada do facto de que os "indicadores habituais" não permitem mais compreender, nem mesmo representar, a evolução actual do mundo. O planeta abordará portanto o Verão de 2009 sem nenhum referencial fiável disponível.

Naturalmente, cada um é livre para pensar que a variação mensal de alguns pontos, para mais ou para menos, de tal ou tal indicador económico ou financeiro, ele próprio amplamente afectado pelas intervenções múltiplas dos poderes públicos e dos bancos, é muito mais portador de sentido e de informação sobre a evolução da crise actual do que estas saídas de referenciais multi-seculares. Cada um é livre também para acreditar que aqueles que não haviam previsto nem a crise nem a sua intensidade estão hoje em condições de saber precisamente a data do fim.

A nossa equipe aconselha a estes últimos a irem ver (ou rever) o filme Matrix e a reflectirem nas consequências da manipulação dos captadores e indicadores de um ambiente sobre a percepção deste ambiente. Isto não será inútil pois, à imagem do Matrix [5] , como pormenorizaremos no GEAB nº 36, especial do Verão de 2009, os próximos meses poderão intitular-se "Crisis Reloaded" [6] .

Neste GEAB nº 35 formulamos igualmente os nossos conselhos referentes aos indicadores que, neste período de transição entre dois referenciais, estão em condições de fornecer informações pertinentes sobre a evolução da crise e do ambiente económico e financeiro.

Os dois outros grandes temas deste número do GEAB do mês de Maio de 2009 são, por um lado, o fracasso programado dos dois principais planos de estímulo económico, a saber, os planos americano e chinês; e, por outro lado, o recurso do Reino Unido ao FMI daqui até ao fim do Verão de 2009.

Finalmente, em matéria de recomendações, a nossa equipe antecipa neste GEAB nº 35 a evolução dos principais mercados imobiliários mundiais, assim como a do mercado de títulos do tesouro.

15/Maio/2009
Notas

[1] Nossa equipe acrescentava na época: "como em toda mudança de fase, a passagem pelo ponto zero caracteriza-se pelo que se pode chamar de "ruído estatístico", que vê os indicadores apontarem direcções opostas e as medidas darem resultados contraditórios, com margens de erros doravante superiores ou iguais às próprias medidas. Na ocasião, para o planeta em 2007, o naufrágio que vai preocupar todo o mundo é o dos Estados Unidos, que o LEAP/E2020 decidiu chamar a "Muito grande depressão", por um lado porque o nome "Grande depressão" já é utilizado para mencionar a crise de 1929 e os anos que se seguiram; por outro porque para o nossos investigadores a natureza e amplitude do que se vai passar é de uma dimensão inteiramente diferente". Fonte: GEAB n°11, 15/01/2007

(2) Fonte: France24 , 16/04/2009

(3) Fonte: TheLatinAmericanist , 06/05/2009

(4) Os dirigentes políticos e os peritos continuam a tentar comparar a crise actual à crise de 1929 como se esta fosse um referencial inultrapassável. Contudo, nomeadamente nos Estados Unidos, as tendências em curso ultrapassaram em numerosos sectores as evoluções que caracterizaram a "Grande depressão". O LEAP/E2020 recordou igualmente no GEAB nº 31 que doravante era preciso procurar referências na grande crise mundial de 1873-1896, ou seja, mais de um século atrás.

(5) Na série dos filmes Matrix , os seres humanos vivem num ambiente cuja percepção é manipulada informaticamente. Eles imaginam-se a viver uma vida faustosa quando vivem numa miséria negra, mas todas as suas percepções (vista, audição, olfacto, tacto, gosto) são manipuladas.

(6) À imagem do título do segundo episódio da série Matrix, literalmente "Crise recarregada".
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Sexta-feira, 17 de Abril de 2009
Verão de 2009: Confirma-se a ruptura do sistema monetário internacional

 

por GEAB

A próxima etapa da crise será determinada por um sonho chinês. Com efeito, o que de melhor pode sonhar Pequim preso, segundo Washington, na "armadilha dólar" dos seus 1.400 mil milhões de activos denominados em US dólar [1] ? Segundo os dirigentes americanos e o seu cortejo de peritos mediáticos, seria continuar a ser prisioneiro e até mesmo reforçar esta condição carcerária comprando sempre mais Títulos do Tesouro e US dólares [2] .
Contudo, todo o mundo sabe com o que sonha realmente um prisioneiro. Em evadir-se certamente, em sair da sua prisão. Para o LEAP/E2020 não há dúvida que doravante Pequim procura sem descanso [3] desembaraçar-se o mais rapidamente possível desta montanha de activos "tóxicos" que se tornaram os Títulos do Tesouro dos EUA e a divisa americana sob a qual a riqueza dos 1300 mil milhões de chineses [4] está aprisionada. Neste GEAB Nº 34, a nossa equipe pormenoriza pois "os túneis e as galerias" que Pequim escava discretamente desde há vários meses no sistema económico e financeiro mundial a fim de escapar à "armadilha dólar" daqui até o fim do Verão de 2009. Sobre o pano de fundo da cessação de pagamentos dos Estados Unidos abrir-se-á o período a partir do qual o "cada um por si" tornar-se-á a regra do jogo internacional, na linha directa de um G20 de Londres cujo comunicado final pode ser lido como a "crónica de uma deslocação geopolítica anunciada" tal como o LEAP/E2020 analisa neste número do Global Europe Anticipation Bulletin.
Por trás do "jogo de tolos" londrino, em que cada um pretendeu acreditar que uma colaboração internacional "histórica" [5] estava em acção, constata-se de facto uma profunda divisão do G20: os americanos e os britânicos (seguidos por um Japão dócil) tentam desesperadamente preservar o seu controle sobre o sistema financeiro mundial, bloqueando ou diluindo toda reforma significativa que dê uma poder mais importante aos outros actores do sistema, sem ter mais suficiente poder para impor seus objectivos. Os chineses, os russos, os indianos, os brasileiros, ... tentam reequilibrar o sistema monetário e financeiro internacional em seu favor, mas sem poder (ou talvez mesmo sem querer verdadeiramente [6] ) impor uma tal reforma. Os europeus (e quando se utiliza esta palavra ela implica cada vez mais uma UE sem o Reino Unido) demonstram-se pelo seu lado incapazes de decidir entre as duas únicas opções que se lhes oferece: afundar com os Estados Unidos e o Reino Unido copiando suas políticas ou então por fundamentalmente em causa o sistema monetário e financeiro actual em parceria com os chineses, os russos, os indianos e os brasileiros. Eles chegam a não seguir Washington em Londres na reprodução das suas políticas passadas que já faliram todas [7] , mas não chegam a ousar preparar o futuro.
Os europeus arcarão igualmente com uma grande responsabilidade se, na breve janela temporal que resta (menos de seis meses doravante), nenhuma acção importante for empreendida para evitar a crise longa e trágica que durará mais de uma década [8] . Eles possuem em simultâneo o know-how técnico para permitir o êxito de uma divisa internacional fundada sobre um cabaz das principais moedas e um método político que permite gerir o melhor possível os interesses estratégicos diversos de um conjunto de países como aqueles cuja moeda estaria por trás da nova divisa internacional de referência. Contudo, existe hoje uma incapacidade evidente dos dirigentes da UE (e nomeadamente da zona Euro) para assumir estas responsabilidades, como se finalmente preferissem ver o sistema ocidental acabar de se romper (sempre proclamando o contrário) ao invés de se baterem para fazer uma ponte para um novo sistema mundial: que isto seja uma escolha (o que o LEAP/E2020 não crê) ou que seja o simples resultado da pusilanimidade de dirigentes europeus escolhidos pela sua docilidade (para com Washington e grandes operadores económicos e financeiros europeus), em qualquer dos casos, a sua neutralidade é muito perigosa para o planeta pois ela impede o lançamento de um processo eficaz que permite evitar uma crise longa e trágica [9]
Assim, neste GEAB Nº 34, nossos investigadores desenvolvem mais as suas antecipações sobre as formas possíveis que tomará a cessação de pagamentos americana daqui até o fim do Verão de 2009 e que o mês de Abril de 2009 (o principal mês de arrecadação das receitas fiscais nos Estados Unidos) vai doravante tornar impossível mascarar [10] . A cessão de pagamentos dos Estados Unidos no Verão de 2009 é com efeito de uma actualidade sempre mais candente com um défice público doravante totalmente fora de controle sobre um fundo de explosão das despesas (+41%) e de afundamento das receitas fiscais (-28%) como antecipou o LEAP/E2020 há mais de um ano: só no mês de Março de 2009, o défice federal subiu a cerca de 200 mil milhões de dólares (muitíssimo acima das previsões mais pessimistas), ou seja, a apenas um pouco menos da metade do défice recorde do conjunto do ano de 2008 [11] . E o mesmo fenómeno repete-se a todos os níveis da estrutura pública do país: Estado federal, estados federados [12] , condados, cidades [13] , ... por toda a parte as receitas fiscais se evaporam arrastando de modo acelerado o conjunto do país numa espiral deficitária que ninguém (Washington em primeiro lugar) domina mais.
Neste GEAB Nº 34, nos investigadores debruçam-se igualmente sobre o "mistério do curso do ouro". Para o metal amarelo, nossos pesquisadores (não de ouro, mas de informação) identificaram algumas pistas muito interessantes para compreender porque [14] , quando os compradores de ouro são legião e em numerosos países assinalam-se rupturas de abastecimento de peças ou lingotes de ouro, o curso do metal amarelo não faz senão oscilar em torno do mesmo eixo desde há meses.
Finalmente, nossa equipe apresenta as suas recomendações quanto à preparação para os próximos meses da crise atendo-se este mês, nomeadamente, à poupança em geral e aos seguros de vida em particular.
15/Abril/2009
Notas:
(1) Se o conjunto das reservas chinesas for doravante avaliado em cerca de US$2000 mil milhões, a parte de activos denominados em dólares não é no máximo senão de 70%, o que dá cerca de US$1400 mil milhões. O resto consiste no essencial em activos denominados em Euros.

(2) Não esquecemos que foram em geral os mesmos "peritos" que nestes últimos anos prediziam que a economia mundial beneficiar-se-ia com a supressão da regulamentação dos bancos, que a economia da Internet abria o caminho para um crescimento sem fim, que os défice americanos eram um sinal de força, que os preços do imobiliário nos EUA não pararia de subir e, enfim, que endividar-se sem restrições era a forma moderna de um enriquecimento duradouro.

(3) A mensagem sobre mudança necessária de divisa internacional de referência que Pequim dirigiu ao mundo inteiro, e às autoridades americanas em particular, na véspera da cimeira do G20 de Londres não de forma alguma um "balão de ensaio" ou uma tentativa sem esperança de êxito. Os dirigentes chineses não tinham nenhuma ilusão sobre a probabilidade de que um tal assunto fosse discutido no decorrer deste G20. Eles quiseram impor este debate nos corredores da cimeira a fim de fazer passar uma mensagem, uma advertência oficiosa a todos os actores do sistema monetário internacional: para Pequim, o sistema dólar está acabado. Se ninguém quiser preparar um sistema alternativa em comum, então isto será feito de outra forma. E os seus actos, analisados neste número do GEAB, corroboram esta intenção. Igualmente, o acaso no calendário político é uma raridade em Pequim, no mesmo período saiu um livro intitulado "A China descontente", que pede uma acção mais voluntarista dos líderes chineses a fim de impor as suas escolhas no cenário internacional. Fonte: ChinaDailyBBS , 27/03/2009

(4) Um link original para acompanhar este número em tempo real: Chine Informations .

(5) Foi de facto Angela Merkel que deu prova da maior clarividência ao encontrar a palavra justa sobre a natureza da cimeira do G20 em Londres. Ela disse que era uma reunião "quase histórica" ; e está correcta a palavra "quase" que resume o que se passou em Londres. Os dirigentes do G20 "quase" abordaram as questões essenciais; eles "quase" definiram um programa comum de acção; eles "quase" chegaram a lançar novos estímulos económicos e uma nova regulação financeira mundial; eles "quase" proibiram os paraísos fiscais; e eles "quase" convenceram a opinião pública mundial. "Quase" mas, infelizmente, não realmente. E isto faz uma grande diferença para o prosseguimento da crise.

(6) É com efeito o dilema do "jogo internacional" desenvolvido no GEAB Nº 33. Num certo momento, o interesse dos jogadores cujo poder aumenta é deixar pura e simplesmente que o antigo jogo se parta para reconstruir um que lhes convenha ao invés de se baterem para transformar o antigo jogo através de uma transição longa e incerta.

(7) Nomeadamente o endividamento público ao extremo, que Washington e Londres chamam de "estímulo económico".

(8) O G20 de Londres inscreve-se directamente na direcção desta crise de longa duração.

(9) A propósito da UE, a equipe do LEAP/E2020 deseja sublinhar a inanidade das "análises" económico-políticas, emitidas essencialmente por eminentes e economistas e peritos próximos do Partido Democrata americano, divulgadas actualmente pelos principais media internacionais, e que se limitam a criticar os europeus ... por não fazerem como Washington. Com Paul Krugman à cabeça, estes "grandes amigos" da Europa, que amam-na tanto que pensam saber melhor que os europeus o que ela deve fazer (e também o que ela deve ser pois os mesmos geralmente defendem também a sua extensão à Turquia, mesmo a Israel e à Ásia Central), fariam melhor se se ocupassem a aconselhar eficazmente o seu próprio partido e o seu novo presidente para evitar o afundamento do seu país, pois é exactamente disso que se trata a partir de agora. Enfim, e não voltaremos mais ao assunto, é pelo menos espantoso que um conjunto de peritos que desde há anos tanto louvaram os méritos de um sistema que hoje se afunda sob os olhos de todos, ouse ainda dar lições ao resto do mundo. A mais elementar decência deveria impor-lhe, a nível internacional, a única via respeitável possível: o silêncio. Em todo caso, na Europa, este discurso, que naturalmente tem sempre os seus repetidores académicos e jornalísticos, não passa mais pois ele vem directamente de uma época ultrapassada. Como faz notar regulamente o LEAP/E2020, é evidentemente necessário e legítimo um olhar muito crítico sobre a UE, seus dirigentes e suas políticas; mas fazê-lo tendo como único critério a conformidade ou não às orientações de Washington (ou Londres) é doravante inaceitável. Visivelmente, a imagem dos financeiros que ainda não compreenderam que uma página foram virada no que se refere às suas acções-opções e aos seus "paraquedas dourados", de numerosos intelectuais e políticos que ainda não integraram bem que as suas referências, os seus valores e as suas análises doravante pertencem ao passado. Que eles pensem nas elites do bloco soviético ... e compreenderão como e a que velocidade um sistema de pensamento pode tornar-se obsoleto.

(10) Para além da baixa das receitas fiscais, assiste-se doravante nos Estados Unidos a extensão de um movimento de revolta contra a utilização dos impostos para salvar a Wall Street e contra a ampliação dos défices previstos, que põem em causa o conjunto da classe dirigente americana. Fontes: USAToday, 13/04/2009 ; MarketWatch } , 16/04/2009

(11) Fontes : USAToday, 11/04/2009; MarketWatch } , 10/04/2009

(12) Na Califórnia, os primeiros dias de Abril fazem temer receitas muitíssimo inferiores às piores previsões, implicando um défice orçamental multiplicado por dois para a Califórnia em relação às previsões de há apenas alguns meses. Ao nível federal, um processo do mesmo tipo está em curso, tornando doravante encarável, segundo o LEAP/E2020, um défice federal anual próximo dos US$3500 mil milhões, ou seja, mais de 20% do PNB dos Estados Unidos. Fonte: CaliforniaCapitol , 08/04/2009

(13) O exemplo destas cidades que, como Auburn na região de Seattle, devem proibir seus grandes eixos viários aos peso-pesados por falta de meios para os manter é eloquente. Fonte: SeattleBusinessJournal , 10/04/2009

(14) E permitir assim antecipar as tendências dos próximos meses.
http://resistir.info/
 


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Quarta-feira, 25 de Março de 2009
Cimeira do G20 em Londres: a última oportunidade antes da deslocação geopolítica mundial

 

Carta aberta aos dirigentes do G20
Senhores e Senhoras:

Resta-vos menos de um semestre para evitar que o planeta afunde numa crise de que será preciso mais de uma década para sair, com um terrível cortejo de infelicidades e de sofrimentos. Esta carta aberta do LEAP/E2020, que desde Fevereiro de 2006 havia anunciado a iminência de uma "crise sistémica global", pretende tentar indicar-vos resumidamente porque assim é e como evitá-lo.

Com efeito, se os senhores começaram a suspeitar da amplitude da crise há menos de um ano, foi em Fevereiro de 2006, na 2ª edição do seu "Global Europe Anticipation Bullletin" (GEAB), que o LEAP/E2020 anunciou a entrada do mundo na "fase de desencadeamento" de uma crise de amplitude histórica. E desde esta data, o LEAP/E2020 continuou, a cada mês, a antecipar de uma maneira muito fiável as evoluções da crise na qual o mundo inteiro se debate doravante. O que nos levou a vos escrever esta carta aberta com a esperança de que ela esclarecerá as vossas escolhas daqui a alguns dias.

Esta crise agrava-se perigosamente. Recentemente, por ocasião da 32ª edição do seu boletim, o LEAP/E2020 lançou um alerta muito importante que vos concerne directamente, vós os dirigentes do G20: se, reunidos em Londres a 2 de Abril próximo, não forem capazes de adaptar decisões audaciosas e inovadoras concentrando-se no essencial, e iniciar a sua execução daqui até o Verão de 2009, então no fim deste ano a crise entrará na fase de "deslocação geopolítica generalizada" que afectará tanto o sistema internacional como a própria estrutura das grandes entidades políticos como os Estados Unidos, a Rússia, a China ou a UE. E os senhores então já não controlarão mais nada para a infelicidade dos seis mil milhões de habitantes do nosso planeta.

Vossa opção: uma crise de 3 a 5 anos ou uma crise de mais de uma década?

Infelizmente, como nada vos preparou para enfrentar uma crise de uma tal amplitude histórica, até ao presente os senhores ocuparam-se apenas dos sintomas ou das causas secundárias. Os senhores pensaram que bastava por combustível ou óleo no motor mundial, sem perceberem que estava muito simplesmente avariado e sem esperança de reparação. É um novo motor que é preciso construir. E o tempo pressiona pois cada mês que passa deteriora um pouco mais o conjunto do sistema internacional.

Como em toda a grande crise, é preciso ir ao essencial. Como em toda crise de dimensão histórica, a única opção está entre empreender rapidamente mudanças de radicais e encurtar consideravelmente a duração da crise e suas consequências trágicas ou ao contrário recusar as mudanças radicais tentando salvaguardar o existente, para não conseguir senão prolongar duravelmente a crise e aumentar todas as suas consequências negativas. Em Londres, a 2 de Abril próximo, os senhores terão assim a opção entre resolver a crise em 3 a 5 anos de uma maneira organizada ou, ao contrário, arrastar o planeta para uma década terrível.

Limitar-nos-emos aqui a destacar três conselhos que consideramos estratégicos, ou seja, se não forem postos em acção daqui até ao Verão de 2008 a deslocação geopolítica mundial tornar-se-á inevitável a partir do fim deste ano.

OS TRÊS CONSELHOS DO LEAP/E2020

1- A chave da crise é a criação de uma nova divisa internacional de referência!

O primeiro conselho resume-se a uma ideia muito simples: a chave da crise actual encontra-se na reforma do sistema monetário internacional herdado do após 1945 a fim de criar uma nova divisa internacional de referência. O dólar americano e a economia dos Estados Unidos já não estão em condições de serem os pilares da ordem económica, financeira e monetária mundial. Enquanto este problema estratégico não for abordado directamente, e depois tratado, a crise aprofundar-se-á pois esta está no cerne das crises dos produtos financeiros derivados, dos bancos, dos preços da energia, ... e das suas consequências em termos de desemprego maciço e de baixas dos níveis de vida. É portanto vital que esta questão seja o objecto principal da Cimeira do G20 de Londres e que os primeiros elementos de solução sejam ali lançados. A solução para estes problemas é igualmente bem conhecida: trata-se de criar uma divisa de referência internacional (que se poderia chamar o "Global") fundada sobre um cabaz de moedas correspondente às principais economias do planeta, a saber, o US Dólar, o Euro, o Yen, o Yuan, o Khaleel (moeda comum dos estados petrolífero do Golfo será lançada a 1 de Janeiro de 2010), o Rublo, o Real, ... e fazer gerir esta divisa por um "Instituto Monetário Mundial", cujo Conselho de Administração reflicta os pesos respectivos das moedas que compõem o "Global". Os senhores devem pedir ao FMI e aos bancos centrais envolvidos para preparar um plano nesse sentido para Junho de 2009 com o objectivo de pô-lo em acção a 1 de Janeiro de 2010. É o vosso único meio de retomar a iniciativa durante o tempo em que se desenrola esta crise. E é o único meio de concretizar a implementação de uma globalização partilhada, partilhando a moeda que está no cerne de toda a actividade económica e financeira.

Segundo o LEAP/E2020, se uma tal alternativa ao sistema actual em pleno colapso não tiver começado a ser preparada daqui até ao Verão de 2009, demonstrando que existe um outro caminho além do "cada um por si", o sistema monetário internacional actual não passará do Verão. E se certos Estados do G20 pensam que é preferível manter mais tempo os privilégios que lhes proporciona o status quo, eles deveriam meditar no facto de que hoje ainda podem influenciar de maneira decisiva a forma que tomará este novo sistema monetário mundial. Uma vez iniciada a fase de deslocação geopolítica, perderão ao contrário toda aptidão para fazê-lo.

2- Controlar o conjunto dos bancos o mais rapidamente possível!

O segundo conselho já foi amplamente evocado nas discussões anteriores à vossa reunião. Deveria pois ser fácil adoptá-lo. Trata-se de instalar daqui até ao fim de 2009 um sistema de controle dos bancos à escala mundial que suprima todo "buraco negro". Várias opções já vos foram propostas pelos peritos. Tomem a decisão desde já. Nacionalizem o mais rapidamente possível quando preciso! Este é em todos os casos o único meio de prevenir um novo endividamento maciço dos estabelecimentos financeiros como o que contribuiu para a crise actual, e de mostrar às opiniões públicos que os senhores têm credibilidade face aos banqueiros.

3- Façam avaliar rapidamente pelo FMI os sistemas financeiros estado-unidense, britânico e suíço!

O terceiro conselho refere-se novamente a uma questão muito sensível politicamente que no entanto é incontornável. É indispensável que o FMI remeta ao G20, o mais tardar em Julho de 2009, uma avaliação independente dos três sistemas financeiros nacionais no núcleo da crise financeira: o dos Estados Unidos, do Reino Unido e da Suíça. Nenhuma solução durável poderá com efeito ser posta eficazmente em acção enquanto ninguém tem a menor ideia das devastações causadas pela crise a estes três pilares do sistema financeiro mundial. Já não é tempo de "usar luvas" com países que estão no cerne do caos financeiro actual.

Escrevam um comunicado simples e breve!

Para terminar, permitimo-nos apenas lembrar que doravante os senhores têm de restaurar a confiança junto a 6 mil milhões de pessoas e junto a dezenas de milhões de instituições públicas e privadas. Assim, não esqueçam de redigir um comunicado curto, que não tenha mais de duas páginas, que não contenha mais de três ou quatro ideias centrais e que seja legível para não peritos. Do contrário, os senhores não serão lidos fora do círculo estreito dos especialistas e não poderão ressuscitar a confiança da maioria condenando assim a crise a agravar-se. Se esta carta aberta vos ajudar a sentir que a História vos julgará por aquilo que tiverem conseguido fazer ou não nesta Cimeira, então ela não terá sido inútil. Saibam simplesmente que, segundo o LEAP/E2020, os vossos povos respectivos não esperarão mais de um ano para vos julgar. Uma coisa entretanto é certa: desta vez os senhores não poderão dizer que não foram prevenidos!

Franck Biancheri
Director de Estudos do LEAP/E2020

Presidente do Newropeans

Terça-feira, 24 de Março de 2009
 
Este documento pode ser pode ser lido também:
Resistir.info, com uma critica
Ao sabor da maré
 
O G20 reúne os países mais ricos do Mundo (França, Alemanha, Reino Unido, Itália, Espanha, Holanda e a Comissão Europeia por parte da UE, Estados Unidos, Canadá e Japão) e as economias emergentes (África do Sul, Argentina, Arábia Saudita, Austrália, Brasil, China, Coreia do Sul, Índia, Indonésia, México, Rússia e Turquia)
Uma das questões que se levanta - e que aqui e ali veladamente se vai colocando - é sobre a legitimidade deste grupo de países para decidir questões que afectam toda a Humanidade.
 


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Segunda-feira, 23 de Março de 2009
Crescem as tensões transatlânticas na véspera do G20

 

Wall Street e City tentam desestabilizar o sistema bancário da UE e o Euro
Para o LEAP/E2020, as alternativas que se apresentam aos dirigentes do G20 na reunião de Londres a 2 de Abril próximo são em número de duas: 1) reconstruir um novo sistema monetário internacional que permita um novo jogo global, integrando equitativamente todos os principais actores mundiais, e dessa forma reduzir a crise a uma duração de três a cinco anos; ou, 2) tentar fazer durar o sistema actual e mergulhar o mundo, a partir do fim de 2009, numa crise trágica durante mais de uma década.

Neste GEAB Nº 33 descrevemos as duas grandes linhas de futuro que permanecerão abertas até o Verão de 2009. Para além deste período, a nossa equipe considera efectivamente que a opção "crise curta" estará obsoleta e que o mundo entrará na fase da deslocação geopolítica mundial da crise [1] , e da crise profunda de mais de uma década.

Além disso, face à urgência, a 24 de Março próximo o LEAP/E2020 publicará à escala mundial uma carta aberta aos dirigentes do G20, modesta contribuição da nossa equipe para tentar evitar uma crise longa e trágica.

A situação torna-se tanto mais inquietante porque na véspera da cimeira de 2 de Abril vêm à luz tensões crescentes, as quais fazem emergir ameaças apenas veladas de certos dirigentes do G20, bem como operações de manipulação das opiniões públicas por parte de outros.

Voltaremos com mais pormenores a estes aspectos no GEAB Nº 33. Neste número a equipe do LEAP/E2020 decidiu igualmente efectuar um exercício útil a todos os leitores (inclusive os dos Estados Unidos, de onde provêm mais de 20% do público do LEAP/E2020) que se exasperam com a ilusão mantida pelos principais media ocidentais acerca do estado em que estão os EUA, pilar fundamental do nosso actual sistema: antecipar o estado sócio-económico dos Estados Unidos daqui a um ano, na Primavera de 2010. As tendências pesadas parecem-nos com efeito estar já suficientemente afirmadas para que uma tal antecipação tenha sentido. Um exercício da mesma ordem será naturalmente efectuado para a União Europeia, a Rússia e a China nos próximos números do GEAB.
Com uma mesma preocupação de fiabilidade das informações, a equipe do LEAP/E2020 — que desde Dezembro de 2007, no GEAB Nº 20 , havia advertido contra o risco imobiliário na Europa central e oriental — decidiu analisar neste comunicado público do GEAB Nº 33 a realidade da chamada "bomba bancária do leste europeu" que invadiu os media há cerca de um mês.

Este assunto parece-nos pertinente porque representa uma tentativa deliberada da parte da Wall Street e da City 
[2] de fazer acreditar numa fractura da UE e instilar a ideia de um risco "mortal" a pairar sobre a zona Euro, emitindo continuamente falsas informações sobre o "risco bancário vindo da Europa do Leste" e tentando estigmatizar uma zona Euro "sensível" frente às medidas "voluntaristas" americanas ou britânicas. Um dos seus objectivos é igualmente tentar desviar a atenção internacional do agravamento dos problemas financeiros em Nova York e Londres, enfraquecendo ao mesmo tempo a posição europeia nas vésperas da cimeira do G20.

A ideia é brilhante:   retomar um tema já bem conhecido das opiniões públicas, assegurando uma adesão fácil ao novo conteúdo; nele integrar uma ou duas analogias chocantes a fim de assegurar uma grande difusão nos media e na Internet (pesquise no Google "crise bancária Europa do Leste", o resultado é eloquente); depois utilizar o apoio de alguns homens e organizações servis sempre disponíveis para uma mentira suplementar. Com um tal cocktail, é mesmo possível fazer acreditar durante uns tempos que a guerra do Iraque é um êxito, que a crise das subprime não afectará o sector financeiro, que a crise financeira não afectará a economia real, que a crise não é realmente grave, e que se ela for grave tudo está de facto sob controle!

Quanto ao que aqui nos preocupa, o tema já bem conhecido é a "separação entre a "Velha Europa" e a "Nova Europa", entre uma Europa rica e egoísta e uma Europa pobre e cheia de esperança. Desde Rumsfeld quanto ao Iraque até o Reino Unido quanto ao alargamento [da UE], isto é um tema comum que nos tem sido repetido infindavelmente durante dez anos pelos media anglo-saxónicos e apaniguados, e de que certos media britânicos fizeram-se especialistas [3] .

As analogias aqui são duas: a Europa do Leste é "a crise dos subprime da UE" (subentendido que cada um forçosamente tem uma crise de subprime em sua casa [4] ); e uma crise na Europa do Leste terá o mesmo efeito terrível que a crise asiática de 1997 (certamente porque tudo se passa no Leste [5] ).

Os suspeitos disponíveis são numerosos. Em primeiro lugar, encontra-se um agência de classificação, no caso a Moodys [6] que, como as suas congéneres, por um lado está ao serviço integral da Wall Street e por outro é incapaz de ver um elefante num corredor (eles fracassaram nas subprimes, nos CDS, no Bear Stearn, na Lehman Brothers, na AIG, ...). Mas, misteriosamente, a imprensa financeira continua a difundir as suas opinião, aplicando certamente um princípio muito humano consistindo em pensar que um dia por simples acaso estatístico acabarão por avaliar alguma coisa correctamente. No nosso caso, o eco foi unânime: a Moodys havia identificado com muita antecipação uma enorme "bomba" escondida no quarto dos fundos da zona Euro (pois é exactamente do Euro que se trata aqui) ... a qual não deixaria de devastar o sistema financeiro europeu.

A seguir, para credibilizar a coisa, utilizam-se alguns media visceralmente anti-Euro (como o Telegraph por exemplo, que apesar de produzir algumas boas análises da crise, devido à queda da Libra e da economia britânica actualmente tem tendência a cegar no que se refere à zona Euro) e difunde-se uma informação que se desmente a seguir (por ser inexacta) de modo a ganhar credibilidade com o desmentido, com a marca do secreto [7] que revelaria um "tsunami financeiro" mundial em preparação nomeadamente devido aos compromissos dos bancos da Velha Europa no sector financeiro da Nova Europa [8] . Remexe-se tudo a cada dia através dos principais media financeiros americanos e britânicos, sabendo que os outros os seguirão por hábito. E com a UE é muito fácil uma vez que é preciso sempre um longo momento para compreender e ainda mais tempo para reagir, com a inevitável divergência que permite ricochetear a manipulação. Desta vez, é o primeiro-ministro húngaro, Ferenc Gyurcsany , que desempenha o papel do "pobre pequeno novo mártir europeu". Para registo: os húngaros tentam em vão desembaraçar-se do personagem desde que ele involuntariamente, há dois anos, confessou ter mentido ao seu povo a fim de se fazer reeleger, confirmando no caminho que havia endividado o seu país para além de todo limite razoável. E é ele que anuncia números delirantes para um plano de salvamento do sistema financeiro da Europa do Leste, atribuindo aos velhos europeus o papel de "maus" ou de "inconscientes". A recusa destes últimos é posta em destaque pelo conjunto da imprensa americana e britânica, concluindo naturalmente pela inevitável derrota da solidariedade europeia, ... e minimizando (ou mesmo por vezes esquecendo) o facto de que foram os polacos ou os checos os mais violentos contra as exigências aberrantes do primeiro-ministro húngaro [9] . A tentativa de enfraquecer a zona Euro e a UE pelo Leste pode portanto prosseguir. Há que aguardar as declarações reiteradas dos dirigentes da zona Euro, o anúncio de um plano de apoio financeiro substancial (diante dos riscos reais) e os comunicados musculados dos dirigentes políticos e dos banqueiros centrais da região para que esta manipulação comece a perder um pouco do seu vigor. Mas ela não desapareceu de todo, pois nos media mencionados é mantido o paralelo entre a crise das subprime e a crise imobiliária na Europa do Leste, como se a Hungria equivalesse à Califórnia, ou a Letónia à Florida.

Pois aqui está o nó do problema: a dimensão tem importância em matéria económica e financeira. Não é a cauda que faz balouçar o cão, como alguns desejariam visivelmente fazer acreditar.

Já em Dezembro de 2007, num momento em que os nossos "actuais peritos em crise na Europa do Leste" não tinham a menor ideia do problema, o LEAP/E2020 sublinhara o risco imobiliário importante que pesava sobre os países europeus afectados (Letónia, Hungria, Roménia, ...) e naturalmente sobre os seus credores (Áustria, Suíça em particular). Para a nossa equipe, era evidente nessa altura que se tratava de um problema limitado aos países afectados. Há muitos problemas pela frente para estes operadores e estes países, mas eles não são mais graves que a média dos problemas do sistema financeiro mundial; e sem nenhuma medida comum com os problemas das praças financeiras de Nova York, Londres ou da Suíça. Recordamo-nos que o banco mais citado como "detonador" desta "bomba leste europeia", a saber, o banco austríaco Raiffeisen, realizou um lucro em alta de 17% em 2008; um desempenho para além das mais loucas esperanças da maior parte dos bancos americanos ou britânicos como observa correctamente William Gamble, um dos raros analistas que se interessaram pela realidade da situação [10] .

Para aqueles que conhecem mal a geografia da UE, o título "a Hungria em bancarrota" ou "a Letónia em bancarrota" pode parecer inteiramente comparável a "a Califórnia em bancarrota". Para os que perdem o seu emprego devido a estes fracassos, é com efeito um problema idêntico. Mas em termos de impacto mais amplo, não há nenhuma relação entre os dois. Assim, a Califórnia, duramente atingida pela crise dos subprimes, é o estado mais povoado e o mais rico dos Estados Unidos ao passo que a Letónia é um país pobre com uma população igual a menos de 1% daquela da UE (contra 12% da população dos EUA para a Califórnia [11] ). O PIB da Hungria representa apenas 1,1% do PIB da zona Euro (para a Letónia este percentual é de 0,2%) [12] : ou seja, uma proporção comparável à de Oklahoma (1% do PIB dos Estados Unidos [13] ), não à da Florida. Está-se portanto longe de uma Europa do Leste portadora de uma crise das subprime à europeia. O conjunto dos novos Estados membros da UE pesa menos de 10% do PIB da UE (e dentre estes, os mais ricos ou os maiores como a Chéquia ou a Polónia quase não são afectados). O montante em causa, para o sistema europeu, situa-se no pior dos casos em torno dos €100 mil milhões de Euros (US$130 mil milhões) [14] , ou seja, uma quantia módica à escala do sistema financeiro da UE [15] . Além disso, a UE assumiu a direcção de um consórcio que já injectou cerca de €25 mil milhões (ou seja, 20% do cenário mais grave) para estabilizar a situação [16] , da qual a recente baixa do Franco suíço ainda diminui a gravidade.

E, last but not least, na Europa do Leste o imobiliário recente manterá um valor importante (ainda que mais fraco do que em 2007/2008) pois, após 50 anos de comunismo, há uma penúria de imóveis modernos. Ao passo que nos Estados Unidos as casas construídas durante o boom imobiliário destes últimos anos são construções em excesso, de uma qualidade muito variável e que já estão em vias de se degradar nos estados mais afectados. Há ali uma verdadeira destruição de riqueza para os proprietários, a economia, os credores e os bancos.

A complexidade desta crise impõe que se seja muito vigilante para identificar as tendências e os factores que são realmente portadores de perigos graves e não se deixar enganar pelos rumores ou as falsas informações.

Esperamos portanto que esta explicação pormenorizada possa não só torcer o pescoço à mentira orquestrada em torno da chamada "bomba financeira" da Europa do Leste [17] como também sirva de exemplo a fim de permitir a cada um "romper as aparências" e ir procurar "por trás do espelho" dos media financeiros dominantes os elementos factuais, os únicos que proporcionam uma ideia precisa.

Se a cimeira do G20 de Londres não conseguir evitar a entrada na fase da deslocação geopolítica mundial, estas operações de manipulação e de desestabilização irão multiplicar-se, procurando cada bloco desacreditar o seu adversário, como em todo jogo de soma nula [18] : aquilo que perde ele, ganho eu.
                                                            
15/Março/2009

GEAB
Notas:
(1) Ver GEAB N°32
(2) Difundidos por todos entre os media financeiros e os peritos, a maior parte dos quais não tinha a mais remota ideia de um problema habitacional/financeiro a aproximar-se em alguns países do Leste Europeu quando, em Dezembro de 2007, o LEAP/E2020 descreveu o risco.
(3) Não há surpresa portanto em que Marketwatch retome num artigo sobre o assunto as acusações feitas contra o Banco Central checo.   Fonte: Marketwatch, 09/03/2009.
(4) O que contudo é falso. Nenhum outro país, excepto os Estados Unidos e o Reino Unido, experimenta uma tal convergência de factores catastróficos.
(5) Enquanto os países da Europa central e oriental afectados (Hungria, países bálticos, Bulgária, Roménia) são totalmente marginais na economia mundial, os países do Sudeste Asiático eram actores-chave da globalização nos anos 1990.
(6) Fonte: Reuters , 17/02/2009
(7) E isto faz com que mesmo os sítios bem informados estejam incertos sobre a atitude a tomar em relação a esta "informação", mantendo portanto a sua credibilidade, como é o caso por exemplo de Gary North, a 19/Fevereiro/2009, no sítio LewRockwell.com .
(8) Fonte: Telegraph, 15/02/2009
(9) Fonte: EasyBourse , 01/03/2009
(10) Fonte: SeekingAlpha , 26/02/2009
(11) Fonte: Statistiques 2007, US Census Bureau .
(12) Fonte: Statistiques 2008 , Eurostat. E os países bálticos são "cobiçados" pelos países escandinavos, em particular pela Suécia que toma todo o cuidado para evitar uma espiral incontrolável na região. Fonte: International Herald Tribune, 12/03/2009
(13) Fonte: Statistiques 2008, Bureau of Economic Analysis , US Department of Commerce.
(14) Fonte: Baltic Course , 05/03/2009
(15) E ridículo em relação às centenas de milhares de milhões que, de modo reiterado, os governos americano e britânico não param de injectar nos seus bancos.
(16) Fonte: Banque Européenne d'Investissement , 27/02/2009
(17) E não perderemos tempo aqui acerca da amálgama feita com a Ucrânia (amálgama para a qual Nouriel Roubini, geralmente mais sagaz, contribuiu – fonte: Forbes , 26/02/2009), que não só não pertence à UE como é um peão de Washington e de Londres desde a "revolução laranja". O actual afundamento da Ucrânia, se bem que possa apresentar problemas para a UE como todo factor de instabilidade nas suas fronteiras, ilustra o "afundamento do Muro do Dólar" em detrimento das posições americanas pois é a Rússia que vai ali recuperar a sua influência. No momento em que na Wall Street e na City os grandes bancos afundam ou são nacionalizados, com esta manipulação tentou-se fazer esconder a floresta americano-britânica com a árvore leste europeia. Alguns deixaram-se apanhar com toda a honestidade pois a história era crível: "si non è vero è bello" como dizem os italianos.
(18) O que se tornará o mundo a partir do fim de 2009, se não for lançado um novo jogo daqui até ao próximo Verão.
 Resistir
 

 



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Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009
Princípio da fase 5 da crise sistémica global: A deslocação geopolítica mundial

 

Desde Fevereiro de 2006 o LEAP/E2020 estimara que a crise sistémica global desenrolar-se-ia de acordo com quatro grandes fases estruturantes, a saber: desencadeamento, aceleração, impacto e decantação. Este processo descreveu bem os acontecimentos até agora. Mas a partir deste momento a nossa equipe considera que a incapacidade dos dirigentes mundiais em captar o alcance da crise, caracterizada nomeadamente pela sua obstinação desde há mais de um ano em tratar as suas consequências ao invés de atacar radicalmente as suas causas, fará com que a crise sistémica global entre numa quinta fase a partir do 4º trimestre de 2009: a fase da deslocação geopolítica mundial.

De acordo com o LEAP/E2020, esta nova fase da crise será moldada por dois importantes fenómenos que organizam os acontecimentos em duas sequências paralelas, a saber:

A. Dois importantes fenómenos:
1. O desaparecimento do pedestal financeiro (dólares + dívidas) no conjunto do planeta
2. A fragmentação acelerada dos interesses dos principais actores do sistema global e dos grandes conjuntos mundiais

B. Duas sequências paralelas:
1. A decomposição rápida do conjunto do sistema internacional actual
2. A deslocação estratégica de grandes actores globais.

Havíamos esperado que a fase de decantação permitiria aos dirigentes do mundo inteiro extrair as consequências do afundamento do sistema que organiza o planeta desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Infelizmente, nesta etapa, já não é realmente permitido ser optimista quanto a isto [1] . Tanto nos Estados Unidos como na Europa, na China ou no Japão, os dirigentes persistem em actuar como se o sistema global em causa fosse vítima apenas de uma avaria passageira à qual bastaria acrescentar uma certa quantidade de carburantes (liquidezes) e outros ingredientes (baixa de taxas, compras de activos tóxicos, planos de relançamento das indústrias em quase falência,...) para fazer com que a máquina andasse outra vez. Ora, e este é exactamente o sentido da expressão "crise sistémica global" criada pelo LEAP/E2020 em Fevereiro de 2006, o sistema global doravante está inutilizado. É preciso reconstruir um novo ao invés de se obstinar em salvar o que já não pode mais ser salvo.
Não sendo a História particularmente paciente, esta quinta fase da crise irá portanto arrancar com este processo de reconstrução mas de maneira brutal, pela deslocação completa do sistema pré-existente. E as duas consequências paralelas, descritas neste GEAB Nº 32, que vão organizar os acontecimentos, prometem ser particularmente trágicas para vários grandes actores mundiais.

Segundo o LEAP/E2020, não resta senão uma pequena fresta para tentar evitar o pior, a saber, os próximos quatro meses, daqui até o Verão de 2009. Muito concretamente, a Cimeira do G20 de Abril de 2009 constitui a última oportunidade para reorientar de maneira construtiva as forças em acção, quer dizer, antes que a sequência cessão de pagamentos do Reino Unido, depois a dos Estados Unidos se ponha em marcha [2] . Sem isto, eles perderão todo o controle sobre os acontecimentos [3] e inclusive, para numerosos dentre eles, nos seus próprios países, enquanto o planeta entrará nesta fase de deslocação geopolítica tal como um "barco à deriva". À saída desta fase de deslocação geopolítica, o mundo arrisca-se a parecer-se mais com a Europa de 1913 do que com o planeta de 2007.
Assim, à força de tentar arcar sobre as suas costas o peso cada vez maior da crise em curso, a maior parte dos Estados afectados, inclusive os mais poderosos, não se deram conta de que estavam em vias de organizar o seu próprio esmagamento sob o peso da História, esquecendo que não eram senão construções humanas, que não sobreviviam senão porque o interesse da maioria ali se encontrava. Neste número 32 do GEAB, o LEAP/E2020 optou portanto por antecipar as consequências desta fase de deslocação geopolítica sobre os Estados Unidos e a UE.
Portanto este é o momento, tanto para as pessoas como para os actores sócio económicos, de se prepararem para enfrentar um período muito difícil que vai ver sectores inteiros das nossas sociedades, tais como se as conhece agora, serem fortemente afectados [4] , até mesmo simplesmente desaparecerem provisoriamente ou em certos casos duradouramente. Assim, a ruptura do sistema monetário mundial no decorrer do Verão de 2009 vai não só implicar um afundamento do dólar dos EUA (e do valor de todos os activos denominados em USD), como vai também induzir por contágio psicológico uma perda de confiança generalizada nas moedas fiduciárias. É a tudo isto que se cingem as recomendações deste GEAB Nº 32.
Last but not least, doravante a nossa equipe considera que são as entidades políticas [5] mais monolíticas, as mais "imperiais", que serão mais gravemente abaladas no decurso desta quinta fase da crise. A deslocação geopolítica vai assim aplicar-se a Estados que vão experimentar uma verdadeira deslocação estratégica pondo em causa a sua integridade territorial e o conjunto das suas zonas de influência no mundo. Outros Estados, em consequência, serão projectados brutalmente para fora de situações protegidas para mergulharem em situações de caos regional.
15/Fevereiro/2009
Notas:
(1) Barack Obama, assim como Nicolas Sarkozy ou Gordon Brown, passam o tempo a invocar a dimensão histórica da crise a fim de melhor ocultar a sua incompreensão da sua natureza e tentar livrar-se previamente da responsabilidade pelo fracasso das suas políticas. Quanto aos outros, preferem persuadir-se que tudo isso será ajustado como um problema técnico um pouco mais grave que de costume. E todo este pequeno mundo continua a jogar conforme as regras que conhecem desde décadas, sem perceber que o jogo está em vias de desaparecer debaixo dos seus olhos.
(2) Ver precedentes no GEAB.
(3) De facto, é mesmo provável que o G20 terá dificuldades crescentes para muito simplesmente poder reunir-se, num fundo de "cada um por si".
(4) Fonte: New York Times, 14/02/2009
(5) E isto parece-nos igualmente verdadeiro para as empresas.
Global Europe Anticipation Bulletin.

O original encontra-se em www.leap2020.eu


Este comunicado encontra-se em http://resistir.info/ .
 

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Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009
A Economia de casino implodiu

 

La fase IV de la crisis sistémica: Inicio de la secuencia de insolvencia global

El GEAB N°30 está disponible! La fase IV de la crisis sistémica: Inicio de la secuencia de insolvencia global
 
En 2007, el LEAP/E2020 había anunciado que los bancos y los consumidores estadounidenses estaban insolventes. Hace más de un año, nuestro equipo estimó en 10.000 mil millones de USD el importe de los « activos fantasmas » que desaparecen como consecuencia de la crisis. Ambos anuncios diferían completamente con los análisis dominantes en ese momento; sin embargo posteriormente se mostraron totalmente justificados. En función de la misma lógica de anticipación, ahora el LEAP/E2020 estima que el mundo ha entrado en una nueva secuencia de la fase IV de la crisis sistémica (la fase de « decantación »), la secuencia de insolvencia global.

Contrariamente a lo que los líderes políticos del mundo parecen pensar, al igual que sus bancos centrales, el problema de liquidez que están tratando de resolver con una disminución histórica de las 1tasas de interés 1y con una ilimitada creación de dinero, no es una causa sino una consecuencia de la crisis actual. Es realmente un problema de solvencia, el que crea el « agujero negro» en el que desaparece la liquidez, que se llama balances de los bancos (1), endeudamiento de los hogares (2), quiebra de las empresas o déficits públicos. Una estimación conservadora de los « activos fantasmas » mundiales ahora llega a más de 30.000 (3) mil millones de USD, nuestro equipo considera que el mundo enfrenta ahora una insolvencia generalizada que golpea evidentemente en primer lugar a países y organizaciones (públicas o privadas) sobre endeudados y/o muy dependientes de los servicios financieros.

Evolución de la capitalización bursátil mundial en 2008 (en miles de miles de millones de USD.) - Fuente: Thomson financial Datastream, 01/2009
Evolución de la capitalización bursátil mundial en 2008 (en miles de miles de millones de USD.) - Fuente: Thomson financial Datastream, 01/2009
¿Como reconocemos una crisis de solvencia de una crisis de liquidez?

Esta distinción entre crisis de liquidez y crisis de solvencia puede parecer muy técnica y finalmente poco determinante para la evolución de la presente crisis. Sin embargo, no es para nada una discusión académica ya que, según el caso, la acción actual de los gobiernos y de los bancos centrales será útil o al contrario totalmente inútil e incluso peligrosa.

Un sencillo ejemplo para comprender la cuestión. Si usted tiene un problema pasajero de dinero y su banco o su familia acepta prestarle los fondos necesarios para superar el traspié, su esfuerzo es bueno para todos. Esto le permite continuar con su actividad, pagar a sus empleados o a usted mismo; su banco o su familia serán reembolsados (con un interés, sin duda alguna en lo que respecta a su banco) y la economía en general se habrá beneficiado con una contribución positiva. En cambio, si su problema no es de falta dinero sino que su actividad no es rentable y no puede desenvolverse en las condiciones económicas del momento, entonces el esfuerzo de su banco o de su familia es tanto más peligroso para todo el mundo cuanto mas grande sea éste. De hecho, con toda probabilidad, a su primera solicitud de fondos seguirán otras, siempre con la promesa (supongámosla honesta) que el aprieto pronto será superado. Su banco o su familia estarán tanto más incitados a continuar ayudándole ya que corren el riesgo de que el cese su actividad los lleve a perder lo ya prestado. Pero si la situación continúa empeorándose, lo que es el caso si la situación es un problema de rentabilidad, entonces llega un momento en que se alcanza ciertos límites: primero, el banco decidirá que tiene más que perder al seguir sosteniéndolo que dejándolo caer; segundo, su familia simplemente no tiene más dinero disponible porque usted les consumió todos sus ahorros. Todo indica que no solamente usted está en quiebra e insolvente, sino que probablemente arrastro a su familia a la misma situación o debilitó a su banco (4). Dio un terrible golpe a la economía de su entorno, incluyendo a su familia (5). Es importante destacar que todo esto puede ocurrir con total buena fe en caso de un abrupto cambio de las condiciones económicas que modifican la rentabilidad de su actividad sin que usted haya percibido la magnitud de las consecuencias para su negocio.

Cantidad de quiebras diarias en Estados Unidos (01/2006 - 11/2008) - Fuente: CreditSlips, 01/2009
Cantidad de quiebras diarias en Estados Unidos (01/2006 - 11/2008) - Fuente: CreditSlips, 01/2009
 
Según el LEAP/E2020, este simple ejemplo ilustra perfectamente la situación que prevalecía a principios de este año 2009 en todo el sistema financiero mundial, una parte importante de la economía planetaria y todos los agentes económicos (incluidos los estados) que basaron su crecimiento de estos últimos años en el endeudamiento. La crisis ha reflejado y amplificado el problema de solvencia global. El mundo está adquiriendo consciencia de que es mucho más pobre de lo que el último decenio le había hecho creer. Este año obligará a todos los actores económicos a intentar evaluar concretamente el estado de su solvencia, sabiendo que muchos activos todavía continúan perdiendo valor. La dificultad es que cada vez más los operadores dejan de confiar en los indicadores y en los instrumentos de medición tradicionales. Las agencias de calificación perdieron toda credibilidad. El USD es sólo una ficción de unidad monetaria del cual, en todo el mundo, muchos Estados tratan de desembarazarse rápidamente (6). Todo el ámbito financiero está sospechado, con mucha razón, de no ser más que un inmenso agujero negro. En las empresas, nadie sabe si los registros de pedidos son fiables (7) ya que, todos los sectores reina la confusión, los clientes anulan masivamente los pedidos (8) o dejan de comprar, aún cuando los precios se derrumban, como lo confirma la fuerte baja de ventas al por menor en las últimas semanas (9). En los Estados (y otras comunidades públicas), ya están en caída los ingresos fiscales lo que hace temer una elevación de los déficit que puede conducir también a quiebras. Por otra parte, desde los multimillonarios rusos (10) a las petromonarquías de Golfo Arábico pasando por el Eldorado comercial chino (11), todas las « gallinas de los huevos de oro » desde las empresas a las instituciones financieras del mundo (incluyendo Europa, Japón y Norte América (12)), ahora son insolventes o muy poco solventes. La cuestión de la solvencia del Estado Federal y los estados federados estadounidenses (13) (así como Rusia y el Reino Unido) también comienzan a aparecer en los principales medias internacionales; al igual que los fondos de pensiones por capitalización, los principales actores en la economía globalizada de los últimos veinte años.

Para el LEAP/E2020, la tendencia es clara: la secuencia que comienza a principios de este año 2009, es la de la insolvencia global.
Notas:

(1) He aquí una lista muy útil de los bancos estadounidenses a punto de quebrar, presentados por el sitio LewRockwell.com, realizado a partir del Texas Ratio que permite medir su exposición al riesgo.

(2) Este mapa dinámico de las de tarjetas de crédito y de los préstamos inmobiliarios impagos en Estados Unidos (al 2 ° trimestre 2008), realizada por Reserve Federal de Nueva York, permite juzgar la extensión de la crisis que afecta las rentas de los hogares y su nivel de endeudamiento. Fuente: NewYorkFed, 12/2008.

(3) La evolución de los valores bursátiles mundiales es un buen indicador de esta desaparición de los « activos fantasmas », aunque es necesario añadirle todas las pérdidas de valor en los bienes inmuebles y de otras gamas de activos; y probablemente restarle la recuperación de los valores que fueron arrasados por la tormenta actual y que se reestablecerán una vez pasado lo peor de la crisis.

(4) No hablamos aquí de los empleados, proveedores, clientes,…

(5) Tal situación, repetida a escala de un país entero, conduce a un caos social. Por otra parte, el mismo ejército estadounidense contempla que la inestabilidad social creada por la crisis podría conducir a una intervención militar. Fuente: ElPasoTimes, 29/12/2008

(6) A este respecto, LEAP/E2020 emite una recomendación con destino a las instituciones financieras internacionales, y sobre todo a sus responsables de los servicios estadísticos: es urgente establecer una contabilidad internacional alternativa, fundada sobre una canasta de divisas (por ejemplo: 25% USD, 25% Euro, 25% Yen y 25% Yuan a la espera de una canasta global de divisas decidida por los dirigentes políticos) porque la cesación de pagos de Estados Unidos y el colapso del sistema monetario mundial que anticipamos para el verano de 2009 inmediatamente provocará una catástrofe en materia de contabilización de valores y de los flujos financieros mundiales. Es por lo tanto urgente, incluso es motivo desde discusiones oficiosas de contabilidad « en negro » doblando las estadísticas actuales, basadas esencialmente en USD, por una versión de « protección » en base una canasta de divisas. Esto permitirá asegurar una continuidad de las estadísticas mientras se reconstruye el sistema monetario mundial.

(7) Una serie de artículos del Spiegel (18/12/2008), titulado « Le calme avant la récession mondiale », ilustra muy bien la crisis vista desde Alemania. Y la caída generalizada por el transporte de mercancías en la Eurozona ilustra bien este hecho. Fuente: Libération, 12/01/2009

(8) Uno de los indicadores avanzados de la economía mundial es innegablemente el mercado de las máquinas herramienta, porque son las que sirven para producir los objetos manufacturados. Los pedidos de máquinas herramienta permiten anticipar entre 6 meses a un 1 año el estado de la industria manufacturera mundial. Los dos grandes fabricantes y exportadores mundiales de estas máquinas son Alemania y Japón, la evolución de su producción y exportación en este sector es pues un indicio muy fiable del futuro de la industria manufacturera mundial. En este caso, se revela muy sombrío para 2009 ya que, similarmente a Alemania, Japón registró en noviembre de 2008 una caída vertiginosa del 16,2 % de sus pedidos con relación a octubre de 2008, es decir la peor baja desde el 1987 cuando estas estadísticas comenzaron a estar disponibles. Fuente: MarketWatch, 15/01/2009

(9) Estados Unidos, en 2009 corre peligro de ver el 25 % de los comercios minoristas cerrar sus puertas. Fuente:: ClusterStockAlleyInsider, 27/12/2008

(10) Los « multimillonarios rusos » están reducidos a mendigar limosna del Kremlin, al ver sus reservas diluirse frente a sus ojos. Fuente: Spiegel, 08/01/2009

(11) « ElDorado chinois » que en 2009 está trasformándose en un pantano socioeconómico. Fuente : Janelanaweb, 25/12/2008 ; Yahoo/Reuters, 07/01/2009 ; Guardian, 13/01/2009

(12) La muy reciente quiebra de Nortel, líder de América del Norte de la industria de las telecomunicaciones es un ejemplo obvio.

(13) Fuentes : USAToday, 28/12/2008 ; Reuters, 02/01/2009
 
 


publicado por codigo430 às 22:34
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