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Lux Ad Lucem

Blogue de opinião e divulgação.

Lux Ad Lucem

Blogue de opinião e divulgação.

27.Jan.09

Há estudos para todos os gostos

 

E este até foi encomendado e financiado pelo Governo, não é iniciativa da OCDE.

Resultados no 1º Ciclo do Ensino Básico muito longe do desejável!

O 1.º Ciclo do Ensino Básico, antigo Ensino Primário, foi o sector mais abandonado ao longo das últimas décadas. Depois de ter merecido alguma atenção logo após o 25 de Abril de 1974, este sector foi completamente esquecido pelos governos nos anos que se seguiram, o que o levou a que batesse praticamente no fundo.

 

Como a FENPROF sempre denunciou, a falta de financiamento do sector, a ausência de regras claras sobre o exercício de competências, a degradação física dos espaços, a penúria no que respeita a material, exigiam que fosse levado por diante um Plano Nacional de Emergência para Requalificação do 1.º Ciclo do Ensino Básico, sob pena de este sector deixar de cumprir o seu papel, o que já fazia com extrema dificuldade. Este Plano é, aliás, uma exigência firme da FENPROF e dos professores e educadores.

 

A ausência de respostas adequadas às necessárias condições de frequência da Escola Pública fazia-se e continua a fazer-se sentir, não apenas no plano educativo como, também, no social, designadamente ao nível dos transportes, tempos livres e refeições.

 

Não surpreende, por isso, que qualquer iniciativa desenvolvida, por menor que fosse, tivesse visibilidade e, no imediato, reflexos aparentemente positivos. Falta, agora, saber quais as consequências a curto e médio prazo.

 

Neste sentido, a FENPROF deixa, sem falsos cepticismos, legítimas dúvidas quanto ao futuro deste nível de ensino:

 

· ­Quais as consequências, para o futuro, do encerramento cego de escolas;

 

· Quais os resultados que advêm de uma resposta social cuja organização não é a mais adequada, quer devido à exiguidade do horário, quer ao modelo de actividades que ali são desenvolvidas;

 

· Quais os reflexos, para os alunos, do facto de a língua inglesa não se integrar no currículo dos alunos, mas ser uma oferta que apenas existe no âmbito das actividades de enriquecimento curricular�

 

É isso que não nos é dito no estudo agora divulgado, como, aliás, não poderia ser dito. Mas este estudo que, convém referir, não é promovido pela OCDE, mas encomendado e financiado pelo Governo Português (realce do Lux Ad Lucem), contém fortes críticas ao modelo de Actividades de Enriquecimento Curricular, nomeadamente no que respeita à sua natureza escolarizada, à excessiva carga horária a que os alunos se sujeitam e à grande precariedade dos vínculos dos profissionais que nelas desenvolvem actividade. Críticas que a FENPROF tem formulado e que o Primeiro-Ministro hoje esqueceu na sua intervenção.

 

Com eleições à porta, o Governo tem pressa em apresentar resultados, mas exacerba no seu optimismo, como fez hoje o Primeiro-Ministro, pois desconhece, ainda, todas as consequências das suas políticas educativas, designadamente as que se concretizam através das medidas que foram implementadas no 1.º Ciclo do Ensino Básico.

 

Para já, o que de mais certo se pode afirmar é que, havendo alguns reflexos que resultam das medidas adoptadas, os resultados estão aquém dos que se obteriam se tivesse existido um verdadeiro investimento e tivessem sido tomadas as medidas adequadas e que fazem falta a este importantíssimo sector de ensino, designadamente as que constam das propostas que a FENPROF defende e apresentou�

 

O Secretariado Nacional da FENPROF
26/01/2009
 
 

Tive acesso ao texto do Relatório . Tentei colocá-lo na plataforma scribd mas não consegui ainda. Confirmo que um dos autores do relatório é Alexandre Ventura: professor da Universidade de Aveiro e Presidente do CCAP.

 

O documento é um simples relatório: não é uma investigação. Para além da equipa ter reunido com os dois secretários de estado, dirigentes da IGE, os coordenadores nacionais dos planos da formação de professores de Matemática, Português e Ciências, teve também encontros com os dirigentes de 3 associações de professores (pré-escolar, inglês e educação física), com 10 coordenadores de escolas do 1º CEB, com 4 especialistas de educação (João Formosinho, Isabel Alçada, Lucília Salgado e Rosa Martins, todos habitualmente favoráveis à política educativa do Governo), os directores regionais da educação, os directores dos serviços centrais do ME, 5 membros do conselho de escolas (Álvaro Santos incluído), 3 dirigentes da CONFAP (Albino incluído), 7 presidentes de câmaras municipais, 3 membros do Conselho Nacional da Educação e 4 membros de sindicatos de professores (2 da FNE e 2 da FENPROF).

 

No relatório, é dito que houve visitas a algumas escolas e conversas com pais e professores. E é tudo. Não há dados provenientes de provas externas e nada no relatório permite estabelecer uma relação de causa e efeito entre as medidas tomadas pelo Governo e qualquer hipotética melhoria dos resultados escolares ou da qualidade das aprendizagens.

 

Não há nenhuma amostra aleatória ou representativa. Nos próximos dias, e com mais tempo, continuarei a análise do Relatório com o objectivo de desmontar a manobra de propaganda que a ele anda associada.

 
 
Independentemente do juízo sobre o "Relatório", é de duvidosa seriedade a posição do Primeiro-Ministro de pretender avalizar a política do Governo, desenvolvida pelo Ministério, e a própria Ministra com base num documento referente apenas a um segmento do sector da Educação.
 

 

26.Jan.09

Não somos, nem se prevê que sejamos um país de "doutores"!

 

Portugal mantém atraso educativo face à Europa

São apenas projecções feitas com base na evolução registada nas últimas décadas. Mas a confirmarem-se revelam números assustadores. Em 2025, apenas dois em cada dez portugueses terão uma licenciatura. A projecção é feita no relatório “Ensino Superior em 2030”, da OCDE. Se estes números se confirmarem, Portugal não vai recuperar o atraso em relação, à média dos países da OCDE. A estimativa revela que Portugal terá 19% de diplomados na população activa dos 25 aos 64 anos, ficando abaixo da média dos países da OCDE que é de 36% de licenciados. Na topo da tabela estará a Coreia com 59% de licenciados seguida do Japão com 57% de diplomados.

 

O relatório revela que se, as tendências registadas nos últimos anos continuarem, um número elevado de países vão aproximar-se de 50% de licenciados na população dos 24 aos 44 anos. O Japão, a Coreia e o Canada são os países com uma maior proporção de diplomados. Os Estados Unidos vão perder a sua vantagem e serão ultrapassados por 19 países. A partir das tendências registadas nas últimas décadas e de projecções, esta relatório traça um quadro demográfico do futuro, examinando o impacto das alterações demográficas na frequência do ensino superior.

 

Outra das conclusões do estudo aponta para o reforço da presença das mulheres nas universidades. O relatório revela que em 27 dos 30 países analisados a percentagem de mulheres no ensino superior vai ultrapassar os 50%. Na Áustria a percentagem de alunas deverá atingir os 70%. Actualmente as mulheres “estão em maioria” nos licenciados em quase todos os graus e áreas de saber. A excepção são os doutoramentos em que as mulheres continuam em minoria. Por áreas são os sectores da Matemática e Informática os que têm a mais baixa taxa de femininização. “Poderá esta igualdade na frequência do ensino superior inverter a desigualdade de salários entre homens e mulheres no mercado de emprego?” Os autores do relatório dizem que esta é uma pergunta a que não podem responder.

 

A expansão da frequência do ensino superior está normalmente associada a uma democratização no acesso ao ensino superior, ou ao aumento da probabilidade de aceder á universidade de grupos sociais menos favorecidos”. O relatório da OCDE sobre o futuro do ensino superior revela que. no futuro, a “composição da população estudantil poderá reflectir melhor a composição social da população”. Mas é difícil estabelecer uma relação directa entre massificação do acesso e a democratização dos sistemas. Até porque as alterações da dimensão da rede do ensino superior dependem das opções de política educativa na partilha de custos ou na diversificação dos sistemas.


( DE 09/12/08 )

CPQTC
 
25.Jan.09

Causa Justa

 

Não entregar os objectivos individuais continua a ser um objectivo muito importante da justa causa das professoras e dos professores.
Como disse Mahatma Gandhi, "A desobediência civil é um direito intrínseco do cidadão. [...] Reprimir a desobediência civil é tentar encarcerar a consciência."
 
24.Jan.09

Ler Mahatma Gandhi

 

"Não há escola que se iguale a um lar decente, nem professores que se igualem a pais honestos e virtuosos."
(Não se recomenda ao Governo nem à ministra por inútil, não lhes interessa aprender.)
 
"A desobediência civil é um direito intrínseco do cidadão. Não ouse renunciar, se não quer deixar de ser homem. A desobediência civil nunca é seguida pela anarquia. Só a desobediência criminal com a força. Reprimir a desobediência civil é tentar encarcerar a consciência."
 
24.Jan.09

O fracasso do "mainstream"

 

A presente crise económica, nacional e global, representa também o fracasso da corrente principal do pensamento económico, o "mainstream", professada por quase todos os economistas e profusamente ensinada nas universidades de todo o mundo.

 

Uma teoria económica incapaz de prever os acontecimentos, que se reduz a explicar as políticas económicas que se praticam, submissa aos interesses dos grandes negócios e hostil a correntes alternativas do pensamento económico, que tem conseguido manter quase totalmente fora das cátedras universitárias.

 

O resultado é que a esmagadora maioria dos economistas, no nosso país e no mundo, se encontra desarmada para compreender as razões profundas da actual crise e, logo, de propor medidas adequadas de saída.

 

Felizmente que, apesar de tudo, existe um rico acervo do pensamento económico critico, que se pode revelar de grande utilidade na procura de soluções que ajudem as sociedades e os povos a ultrapassar o difícil momento histórico que estão a viver.