Blogue de opinião e divulgação.
Sábado, 2 de Maio de 2009
Três anos de aventura

 

 

Como assinalar o 3.º aniversário do Lux Ad Lucem?
Depois de várias hipóteses, decidi-me simplesmente por salientar a tag música. O Lux Ad Lucem é uma Festa!
http://codigo430.blogs.sapo.pt/tag/m%C3%BAsica
 


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Sexta-feira, 1 de Maio de 2009
Ética mínima

 

Face às críticas dos pais que acusam os inspectores do ME que inquiriram alunos da Secundária de Fafe acerca de uma manifestação contra a ministra de terem utilizado, nos interrogatórios dos jovens, métodos "absolutamente inconcebíveis depois do 25 de Abril" e os terem incitado a acusar e denunciar os seus professores, defende-se a Inspecção-Geral da Educação dizendo que tudo o que fez foi "legal".

 

Juntamente com o "cumprimento de ordens", a "legalidade" sempre foi (foi-o em momentos sórdidos do século XX e continua a sê-lo) a explicação mais à mão para justificar o injustificável.

 

Como se só o que é ilegal fosse condenável. Os inspectores do ME terão contudo lido Jellinek na Faculdade e saberão que o direito é apenas o "mínimo ético" (e conhecendo nós quem faz as leis, podemos ter uma ideia de quão eticamente mínimo é esse mínimo…)

 

Ora talvez a um ministério da "Educação" seja exigível, nas relações com escolas e com jovens, um pouco mais - a não ser que no Ministério se esteja em greve à ética - que o cumprimento de serviços mínimos éticos.

 

Mas, se calhar, sou eu que estou a ver mal a coisa.

JN


publicado por codigo430 às 18:38
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Gripe suína (2)

 

Continuemos. No ano passado, uma comissão convocada pelo Pew Research Center publicou um relatório sobre a “produção animal em granjas industriais, onde se chamava a atenção para o grave perigo de que a contínua circulação de vírus, característica das enormes varas ou rebanhos, aumentasse as possibilidades de aparecimento de novos vírus por processos de mutação ou de recombinação que poderiam gerar vírus mais eficientes na transmissão entre humanos”.

 

A comissão alertou também para o facto de que o uso promíscuo de antibióticos nas fábricas porcinas – mais barato que em ambientes humanos – estava proporcionando o auge de infecções estafilocócicas resistentes, ao mesmo tempo que as descargas residuais geravam manifestações de escherichia coli e de pfiesteria (o protozoário que matou milhares de peixes nos estuários da Carolina do Norte e contagiou dezenas de pescadores).

 

Qualquer melhoria na ecologia deste novo agente patogénico teria que enfrentar-se ao monstruoso poder dos grandes conglomerados empresariais avícolas e ganadeiros, como Smithfield Farms (suíno e vacum) e Tyson (frangos).

 

A comissão falou de uma obstrução sistemática das suas investigações por parte das grandes empresas, incluídas umas nada recatadas ameaças de suprimir o financiamento dos investigadores que cooperaram com a comissão. Trata-se de uma indústria muito globalizada e com influências políticas.

 

Assim como o gigante avícola Charoen Pokphand, radicado em Bangkok, foi capaz de desbaratar as investigações sobre o seu papel na propagação da gripe aviária no Sudeste asiático, o mais provável é que a epidemiologia forense do surto da gripe suína esbarre contra a pétrea muralha da indústria do porco.

 

Isso não quer dizer que não venha a encontrar-se nunca um dedo acusador: já corre na imprensa mexicana o rumor de um epicentro da gripe situado numa gigantesca filial de Smithfield no estado de Veracruz.

 

Mas o mais importante é o bosque, não as árvores: a fracassada estratégia antipandémica da Organização Mundial de Saúde, o progressivo deterioramento da saúde pública mundial, a mordaça aplicada pelas grandes transnacionais farmacêuticas a medicamentos vitais e a catástrofe planetária que é uma produção pecuária industralizada e ecologicamente sem discernimento.

 

Como se observa, os contágios são muito mais complicados que entrar um vírus presumivelmente mortal nos pulmões de um cidadão apanhado na teia dos interesses materiais e da falta de escrúpulos das grandes empresas.

 

Tudo está contagiando tudo.

 

A primeira morte, há longo tempo, foi a da honradez.

 

Mas poderá, realmente, pedir-se honradez a uma transnacional?

 

Quem nos acode?

Uma praça no México
By José Saramago
 

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publicado por codigo430 às 18:00
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Lamentável atitude da candidatura do PS

 

Depois de tudo o que o governo do PS tem feito ao país e aos trabalhadores, os despedimentos, a precariedade, a desigualdade no rendimento, a alteração dos vínculos laborais, o endividamento do país, a destruição do aparelho produtivo nacional, o candidato que encabeça a lista do PS ao Parlamento Europeu, pessoalmente escolhido por José Sócrates de quem é apoiante indefectível, decide o inimaginável, apresentar-se no 1.º de Maio na manifestação da principal central sindical portuguesa, a CGTP-In, que tem sido incansável na resistência aos desmandos governamentais.

 

A recepção não foi agradável, como sabia e desejava o dito candidato do PS.

 

Que logo aproveitou para se colocar no centro dos acontecimentos do 1.º de Maio, desviar as atenções do justo descontentamento e indignação dos portugueses, fazer de vítima, ele que é o representante pessoal do governo mais arrogante e autoritário no pós-25 de Abril, e tirar dividendos políticos e eleitorais.

 

No fundo, uma manobra de provocação política clássica e que o PS já usou várias vezes.

 

Mas o que é que resta a este partido senão o desvario e a provocação, depois de 4 anos de desgoverno e de tantas mentiras, para tentar convencer os portugueses a votar nele a fim de eleger deputados, para mais quando sempre impediu os eleitores de votar em referendo  os diversos tratados europeus que assinou, o último dos quais o de Lisboa?

 

Este partido, esta espécie de cavalheiros, bem colocados na vida, que nunca caem no desemprego, pois para eles, saídos de um lugar há sempre logo outro bem remunerado onde se aconchegam, parece que não compreendem o sofrimento da generalidade dos portugueses, provocado pelo que fazem no governo e parlamentos ou pelo que apoiam que seja feito.

 

As pessoas sofrem, indignam-se, protestam e podem não conter o seu desespero ante a desvergonha dessa gente que ainda tem a lata de lhes aparecer para pedir ou sugerir o voto.

 

É triste, mas é a realidade. O PS fará tudo para continuar a atormentar os cidadãos e dizer que os outros é que são o problema.

 


publicado por codigo430 às 17:45
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Portugal Um Retrato Social-6ª Episódio

 

 

Vídeo Indicado pela Catarina do 12.º E
 


publicado por codigo430 às 12:20
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Em face da crise causada pela “gripe mexicana”, a Humanidade deve continuar sujeita às tão contestadas regras das patentes dos medicamentos considerados adequados para combater o vírus?

 

La gripe porcina y el monstruoso poder de la gran industria pecuaria


Mike Davis · · · · ·

 
28/04/09
 

Nuestro amigo y miembro del Consejo Editorial de SINPERMISO Mike Davis, cuyo libro El monstruo llama a nuestra puerta (trad. María Julia Bertomeu, Ediciones El Viejo Topo, Barcelona, 2006) alertó lúcida y brillantemente del peligro de una gripe aviar pandémica de alcance mundial, explica ahora cómo la gran industria pecuaria globalizada ha sentado las bases para un más que preocupante brote de gripe porcina en México.

 

La gripe porcina mexicana, una quimera genética probablemente concebida en el cieno fecal de una gorrinera industrial, amenaza subitáneamente con una fiebre al mundo entero. Los brotes en la América del Norte revelan una infección que está viajando ya a mayor velocidad de la que viajó con la última cepa pandémica oficial, la gripe de Hong Kong en 1968.

 

Robándole protagonismo a nuestro último asesino oficial, el virus H5N1, este virus porcino representa una amenaza de ignota magnitud. Parece menos letal que el SARS [Síndrome Respiratorio Agudo, por sus siglas en inglés] en 2003, pero, como gripe, podría resultar más duradera que el SARS. Dado que las domesticadas gripes estacionales de tipo A matan nada menos que a un millón de personas al año, incluso un modesto incremento de virulencia, especialmente si va combinada con una elevada incidencia, podría producir una carnicería equivalente a una guerra importante.

 

Ello es que una de sus primeras víctimas ha sido la consoladora fe, inveteradamente predicada por la Organización Mundial de Salud (OMS), en la posibilidad de contener las pandemias con respuestas inmediatas de las burocracias sanitarias e independientemente de la calidad de la sanidad pública local. Desde las primeras muertes por H5N1 en 1997, en Hong Kong, la OMS, con el apoyo de la mayoría de administraciones nacionales de sanidad, ha promovido una estrategia centrada en la identificación y el aislamiento de una cepa pandémica en su radio local de brote, seguidos de una masiva administración de antivirales y –si disponibles— vacunas a la población.

 

Una legión de escépticos ha criticado ese enfoque de contrainsurgencia viral, señalando que los microbios pueden ahora volar alrededor del mundo –casi literalmente en el caso de la gripe aviar— mucho más rápidamente de lo que la OMS o los funcionarios locales puedan llegar a reaccionar al brote original. Esos expertos han observado también el carácter primitivo, y a menudo inexistente, de la vigilancia de la interfaz entre las enfermedades humanas y las animales. Pero el mito de una intervención audaz, preventiva (y barata) contra la gripe aviar ha resultado valiosísimo para la causa de los países ricos que, como los EEUU y el Reino Unido, prefieren invertir en sus propias líneas Maginot biológicas, antes que incrementar drásticamente la ayuda a los frentes epidémicos avanzados de ultramar. Tampoco ha tenido precio este mito para las grandes transnacionales farmacéuticas, enfrentadas en una guerra sin cuartel con las exigencias de los países en vía de desarrollo empeñados en exigir la producción pública de antivíricos genéricos clave como el Tamiflu patentado por Roche. (sublinhado do Lux Ad Lucem)

 

La versión de la OMS y de los centros de control de enfermedades, de acuerdo con la cual ya se está preparado para una pandemia, sin mayor necesidad de nuevas inversiones masivas en vigilancia, infraestructura científica y regulatoria, salud pública básica y acceso global a fármacos vitales, será ahora decisivamente puesta a prueba por la gripe porcina, y tal vez averigüemos que pertenece a la misma categoría de gestión "ponzificada" del riesgo que los títulos y obligaciones de Madoff. No es tan difícil que falle el sistema de alertas, habida cuenta de que, sencillamente, no existe. Ni siquiera en la América del Norte y en la Unión Europea.

 

Tal vez no sea sorprendente que México carezca tanto de capacidad como de voluntad política para gestionar enfermedades avícolas y ganaderas, pero ocurre que la situación apenas es mejor al norte de la frontera, en donde la vigilancia se deshace en un desdichado mosaico de jurisdicciones estatales y las grandes empresas pecuarias se enfrentan a las regulaciones sanitarias con el mismo desprecio con que suelen tratar a los trabajadores y a los animales. Análogamente, una década entera de advertencias de los científicos fracasó en punto a garantizar transferencias de sofisticada tecnología viral experimental a los países situados en las rutas pandémicas más probables. México cuenta con expertos sanitarios de reputación mundial, pero tiene que enviar las muestras a un laboratorio de Winnipeg para descifrar el genoma de la cepa. Así se ha perdido toda una semana.

 

Pero nadie menos alerta que las autoridades de control de enfermedades en Atlanta. De acuerdo con el Washington Post, el CDC [siglas en inglés del Centro de Control de Enfermedades, radicado en Atlanta; T.] no se percató del brote hasta seis días después de que México hubiera empezado a imponer medidas de urgencia. No hay excusa que valga. Lo paradójico de esta gripe porcina es que, aun si totalmente inesperada, había sido ya pronosticada con gran precisión. Hace seis años, la revista Science consagró un artículo importante a poner en evidencia que, "tras años de estabilidad, el virus de la gripe porcina de la América del Norte ha dado un salto evolutivo vertiginoso".

 

Desde su identificación durante la Gran Depresión, el virus H1N1 de la gripe porcina sólo había experimentado una ligera deriva desde su genoma original. Luego, en 1998, una cepa muy patógena comenzó a diezmar puercas en una granja de Carolina del Norte, y empezaron a surgir nuevas y más virulentas versiones año tras año, incluida una variante del H1N1 que contenía los genes internos del H3N2 (causante de la otra gripe de tipo A que se contagia entre humanos).

 

Los investigadores entrevistados por Science se mostraban preocupados por la posibilidad de que uno de esos híbridos pudiera llegar a convertirse en un virus de gripe humana –se cree que las pandemias de 1957 y de 1968 fueron causadas por una mezcla de genes aviares y humanos fraguada en el interior de organismos porcinos—, y urgían a la creación de un sistema oficial de vigilancia para la gripe porcina: admonición, huelga decirlo, a la que prestó oídos sordos un Washington dispuesto entonces a tirar miles de millones de dólares por el sumidero de las fantasías bioterroristas.  

 

¿Qué provocó tal aceleración en la evolución de la gripe porcina? Hace mucho que los virólogos están convencidos de que el sistema de agricultura intensiva de la China meridional es el principal vector de la mutación gripal: tanto de la "deriva" estacional como del episódico "intercambio" genómico. Pero la industrialización granempresarial de la producción pecuaria ha roto el monopolio natural de China en la evolución de la gripe. El sector pecuario se ha visto transformado  en estas últimas décadas en algo que se parece más a la industria petroquímica que a la feliz granja familiar que pintan los libros de texto en la escuela.

 

En 1965, por ejemplo, había en los EEUU 53 millones de cerdos repartidos entre más de un millón de granjas; hoy, 65 millones de cerdos se concentran en 65.000 instalaciones. Eso ha significado pasar de las anticuadas pocilgas a ciclópeos infiernos fecales en los que, entre estiércol y bajo un calor sofocante, prestos a intercambiar agentes patógenos a la velocidad del rayo, se hacinan decenas de millares de animales con más que debilitados sistemas inmunitarios.

 

El año pasado, una comisión convocada por el Pew Research Center publicó un informe sobre la "producción animal en granjas industriales", en donde se destacaba el agudo peligro de que "la continua circulación de virus (…) característica de enormes piaras, rebaños o hatos incremente las oportunidades de aparición de nuevos virus por episodios de mutación o de recombinación que podrían generar virus más eficientes en la transmisión entre humanos". La comisión alertó también de que el promiscuo uso de antibióticos en las factorías porcinas –más barato que en ambientes humanos— estaba propiciando el auge de infecciones estafílocóquicas resistentes, mientras que los vertidos residuales generaban brotes de escherichia coli y de pfiesteria (el protozoo que mató a mil millones de peces en los estuarios de Carolina y contagió a docenas de pescadores).

Cualquier mejora en la ecología de este nuevo agente patógeno tendría que enfrentarse con el monstruoso poder de los grandes conglomerados empresariales avícolas y ganaderos, como Smithfield Farms (porcino y vacuno) y Tyson (pollos). La comisión habló de una obstrucción sistemática de sus investigaciones por parte de las grandes empresas, incluidas unas nada recatadas amenazas de suprimir la financiación de los investigadores que cooperaran con la comisión.

 

Se trata de una industria muy globalizada y con influencias políticas. Así como el gigante avícola Charoen Pokphand, radicado en Bangkok, fue capaz de desbaratar las investigaciones sobre su papel en la propagación de la gripe aviar en el sureste asiático, es lo más probable que la epidemiología forense del brote de gripe porcina se dé de bruces contra la pétrea muralla de la industria del cerdo.

 

Eso no quiere decir que no vaya a encontrarse nunca una acusadora pistola humeante: ya corre el rumor en la prensa mexicana de un epicentro de la gripe situado en torno a una gigantesca filial de Smithfield en el estado de Veracruz. Pero lo más importante –sobre todo por la persistente amenaza del virus H5N1— es el bosque, no los árboles: la fracasada estrategia antipandémica de la OMS, el progresivo deterioro de la salud pública mundial, la mordaza aplicada por las grandes transnacionales farmacéuticas a medicamentos vitales y la catástrofe planetaria que es una producción pecuaria industrializada y ecológicamente desquiciada.

 

Mike Davis es miembro del Consejo Editorial de SINPERMISO. Traducidos recientemente al castellano: su libro sobre la amenaza de la gripe aviar (El monstruo llama a nuestra puerta, trad. María Julia Bertomeu, Ediciones El Viejo Topo, Barcelona, 2006), su libro sobre las Ciudades muertas (trad. Dina Khorasane, Marta Malo de Molina, Tatiana de la O y Mónica Cifuentes Zaro, Editorial Traficantes de sueños, Madrid, 2007) y su libro Los holocaustos de la era victoriana tardía (trad. Aitana Guia i Conca e Ivano Stocco, Ed. Universitat de València, Valencia, 2007). Sus libros más recientes son: In Praise of Barbarians: Essays against Empire (Haymarket Books, 2008) y Buda's Wagon: A Brief History of the Car Bomb (Verso, 2007; traducción castellana de Jordi Mundó en la editorial El Viejo Topo, Barcelona, 2009).  

 

Traducción para www.sinpermiso.info: Marta Domènech y María Julia Bertomeu

 

sinpermiso electrónico se ofrece semanalmente de forma gratuita. No recibe ningún tipo de subvención pública ni privada, y su existencia sólo es posible gracias al trabajo voluntario de sus colaboradores y a las donaciones altruistas de sus lectores. Si le ha interesado este artículo, considere la posibilidad de contribuir al desarrollo de este proyecto político-cultural realizando una DONACIÓN o haciendo una SUSCRIPCIÓN a la REVISTA SEMESTRAL impresa


The Guardian 27-4-2009
 


publicado por codigo430 às 00:34
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Endosso cristão ao cancelamento de dívidas e recomeços

 A guerra financeira contra a Islândia

Desde pelo menos uma época tão remota como 2400 AC era normal para dirigentes sumérios e da Babilónia anular as dívidas pessoais e agrárias da população ao assumir o trono no seu primeiro ano completo de governação. Além disso, para anular estas dívidas, os mesopotamios libertavam escravos e restauravam o direito à terra a antigos proprietários que tivessem perdido os seus direitos sobre a colheita por arresto de credores. Eram os Recomeços (Clean Slates). A palavra babilónica para estes recomeços era andurarum e a lei judaica adoptou-a com a palavra cognata hebráica deror. Mas no primeiro milénio AC, os reis acabaram por representar oligarquias locais, assim a Lei Mosaica tirou os Recomeços das mãos dos governantes e colocou-os no centro da religião judaica no Ano Jubileu do Levítico 25. Tal como a lei babilónica, cancelava dívidas pessoais, libertava escravos e restaurava a posse da terra aos seus possuidores "originais".

O cancelamento de dívidas está no cerne das leis do Exodus, Levítico e Deuterônimo que apelam a que dívidas sejam canceladas periodicamente, bem como à libertação de escravos (bondservants) endividados. Ezra e Nehemiah descrevem como retornaram da Babilónia para restaurar a ordem pelo cancelamento de dívidas – e redescobrir o Livro do Deuterônimo. Mas oligarquias credoras estavam em ascensão por toda a região do Mediterrâneo nos séculos que se seguiram. No tempo de Jesus a corrente principal da liderança judaica havia montado um ataque ao Ano Jubileu, endossando o prosbul do rabi Hillel, uma cláusula legal pela qual credores forçavam devedores a transferirem seus direitos à anulação de dívida no Jubileu. No seu primeiro sermão, Jesus procurou manter o ano Jubileu ao desenrolar o pergaminho de Isaías e anunciar que ele viera proclamar o Ano de Nosso Senhor.

A oligarquia judaica recorreu a Roma para crucificar Jesus. Como ele e os seus seguidores ganhavam aderentes ao advogar o esquecimento de dívidas, Roma utilizou violência contra eles. Mas a cristandade crescia através da criação de comunidades de ajuda mútua. Uma vez alcançado o poder político, o mais importante feito económico da nova religião foi ilegalizar a servidão pela dívida por toda a civilização ocidental. Contudo, a ideia de um Recomeço tinha de ser adiada até o Dia do Julgamento no fim da história.

Quando os credores conduziam a economia pós-romana para a Baixa Idade Média, os cristão baniram totalmente a cobrança de juros, mesmo sobre empréstimos comerciais em prata. As línguas antigas não tinham palavras para distinguir "juros" de "usura". Esta distinção foi estabelecida só no século XIII, quando teólogos da Igreja aplicaram o termo "juro" a empréstimos comerciais nos quais "apoiantes silenciosos" avançavam dinheiro a empreendedores. Era permitido aos banqueiros cobrarem um prémio de ágio em moeda estrangeira (que tipicamente incluía um encargo de juro na prática), desde que o encargo pudesse ser justificado pelo seu próprio trabalho e gastos relacionados para permitir transferências de dinheiro e empréstimos. Contudo, hipotecas pessoais e empréstimos pessoais eram considerados usurários. Os homens da Igreja do século XIII tratavam a usura como roubo e portanto como violando o Oitavo Mandamento: "Tu não roubarás".

Desde a antiguidade até tempos medievais europeus, a maior parte do roubo assumia a forma de usura, levando devedores a perderem o colateral que haviam comprometido em troca de fundos de emergência. Tomás Aquino e Martin Luther em 1516 advertiam que esta prática destruía cidades tal como um verme destrói uma maçã a partir do seu interior. João Calvino em 1565, o último ano da sua vida, igualmente definiu a usura e a fraude como roubo no mesmo plano de assaltantes de estradas e ladrões. Esta ética produziu uma linha de desenvolvimento que se prolongou a até apenas uma geração atrás à medida que o direito ocidental se tornava mais humano para com devedores. Devedores incapazes de pagar já não podem ser transformados em servos dos seus credores e as prisões de devedores foram encerradas. As leis da bancarrota permitem a indivíduos (e corporações) anularem dívidas quando não podem pagá-las.

Mas esta tendência histórica com oito séculos de extensão está agora a ser confrontada com um ameaçador anti-Iluminismo para revertê-la. Nos Estados Unidos, companhias de cartões de crédito têm dado enormes somas como contribuições de campanha a políticos desejosos de reescrever as leis da bancarrota para tornarem permanentes as dívidas hipotecárias de casas e para além do poder de juízes reduzi-las. Indivíduos ricos com mais de uma casa podem ter reduzidas as suas próprias dívidas hipotecárias sobre estas propriedades, mas proprietários com apenas uma única residência são confrontados com uma escravidão pela dívida por toda a vida. Isto é exactamente o inverso da antiga lei que protegia a terra de subsistência de cidadãos, mas não as suas casas de cidade e outras propriedades adicionais.
 
 


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